"TEMPESTADES QUE NÃO PARAM. PARA-RAIOS QUEM NÃO TEM? MESMO QUE NÃO VENHA O TREM NÃO POSSO PARAR".
terça-feira, 21 de junho de 2011
A morte
Eu, sinceramente, não sei o que a morte significa
Quem sabe?
Abro a janela: automóveis anônimos, contruções vazias, árvores órfãs
Sinceramente, o que sigfinica a morte?
O céu pode estar lúcido de azuis - mas não vejo além do céu
Não vejo o subterrâneo do mar, nem o subterrêneo dos corações
A quem eu vou prestar contas a não ser com as minhas perdas.
A música do tempo poderia estar sempre afinada nos meus ouvidos?
O que a morte significa? Não sei.
Sinceramente, não sei.
sexta-feira, 10 de junho de 2011
O DESAPARECIMENTO DA LETRA
A letra só me cai bem
Quando caio nela
Quando cá nela
Cheira canela
Canela
Canela
A letra preta some do poema
Quando verso queima
Quando inverto ela
Quando inverto ela
Quando invertê-la
A letra desaparecida
Quando surge aguerrida
Quando querida
Quando querida
Quando querida
Quando queira.
Letra foi – ida.
A letra, enfim, é o próton do poema.
A letra, enfim, é o próton do poema.
DIALOGANDO COM O MUNDO
Hoje tentei dialogar com o mundo
Mas não entendi o que ele dizia
Tentei dialogar, mas não compreendia
Tantas guerras a travar
E outras que já tardiam
Tanta paz a conquistar
E ideologias à revelia
Hoje tentei dialogar com o mundo
E os xiitas tortos de hipocrisia
Queriam arrancar da voz
A atroz verdade que se consumia
Inferno é o mundo que não dialoga
Ou o céu é a língua que se calaria?
Diante de tantas vozes
Talvez uma que eu entendia
De buscar na mentira da arte
E essência de alguma utopia
Eu faço minha parte
Na beleza da filosofia
Mesmo que ninguém me escute
Nem perscrute minha poesia
Mas se alguém do mundo me propuser
Mesmo sendo um Zé qualquer
...dialogaria.
quinta-feira, 9 de junho de 2011
ME DÁ UM CIGARRO, PORRA!
_ Me dá um cigarro, porra!
11:05 pm
“Beber uma cerveja bem gelada, dar aquela paquerada/
junto com rapaziada..”
Txxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx
“What’s the frequency, Kenneth?”
Txxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx
_ Me dá um cigarro, porra!
Estação Catete, desembarque obrigatório pela direita
“And when the words
They fall apart
When the walls come tumbling in
Though we may deserve it
It will be worth it”
Txxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx
_ Me dá um cigarro aê, porra!
“Não vou ficar sozinho/ é de ladinho que eu me acho...”
Txxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx
“Me leva que eu vou, sonho meu/ Atrás da verde rosa só não vai...”
_ Me dá um cigarro, porra!
Estação Estácio, estação de transferência para linha 2/ Desembarque obrigatório pela direita.
Txxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx
“All I ever wanted
All I ever needed
Is here in my arms
Words are very unnecessary
They can only do harm”
_ Me dá um cigarro, porra!
...daqui há alguns instantes passará o último carro para linha 2/ A linha 1 encontra-se inoperante
11:35 pm
_ Não fumei ainda, nada.
Txxxxxxxxxxxxxxxxxxx
“Never again
Is what you swore
The time before”
Txxxxxxxxxxxxxxxxxxx
(Escrito originalmente em 07/11/1999)
SIGNO
Alguns signos visito invariavelmente:
“alma”, “tráfego”, “urbano”, “beijo”, “amor”
destes que qualifico como essência,
mesmo que soe endo-paródia
mesmo que seja um lítero-decalque de mim mesmo.
quinta-feira, 2 de junho de 2011
Código Binário
01110110011010010110010001100001 01100011011011110110111001110011011101010110110101101111
01001101
01001111
01010010
01010100
01000101
Life can not be reduced to this
segunda-feira, 30 de maio de 2011
Cópia Fiel
A narrativa linear num recorte da vida e o jogo que se pode propor neste fragmento é a proposta mais significativa de Cópia Fiel de Abbas Kiarostami de 2010. Assim como um poema, o filme não pretende reduzir-se à sua forma e sim às consequencias interpretativas. Assim como discute-se o original e o simulacro, discute-se a representação dos papéis que nos impomos e se, de alguma forma, podemos reinterpretá-los.
Sendo lúdicos ou teatrais o casal Professor James Milles (o cantor barítono William Shimell) e a dona de uma galeria de arte Elle (Juliette Binoche, de Cache, Chocolate, A Fraternidade é Vermelha, dentre outros) enreda-se em diálogos/cenários onde a mesa de um restaurante, uma praça, o interior de um carro, são cenários para construção de uma intimidade/identidade. Uma intimidade desenhada à lápis por Kiarostami que pode ser apagada e realinhada num processo tão natural que a linearidade espaço-temporal pode ser tanto um caminho sinalizado como um atalho obscuro. Uma intimidade falada em três linguas inglês, francês e italiano. Uma intimidade posta à prova na memória real e na memória pinçada. Uma versão de amor de um amor original que pode ou não ter existido. A beleza está no aqui-agora da simulação. Juliette Binoche levou o prêmio de Melhor Atriz em Cannes, 2010. Bellisimo!
FÓRMULA
Fragmentos de sentidos nus - poema
Gema de raro esplendor - tema
Gênio de um argumento - ela
Momento de abdução - instinto
Minto que sei sobre as coisas da vida
e acredito na vida livre
Das amarras da razão que um dia parti
calabouço de sonho que um dia saí
Não sei se a temperança
é uma dança que aceita par
Não sei se a libra balança
justiça de um mesmo lugar
Mas sei que viver é busca
d’alma rebrilhando seu afã
como uma poesia morta
ressuscitando na manhã.
(Escrito originalmente em 08/09/99)
quarta-feira, 25 de maio de 2011
Tem Gente
Tem gente pra caralho no mundo - eu sei!
tem gente pra caralho no mundo - neguei!
tem gente pra caralho no mundo - peguei!
tem gente pra caralho no mundo - postei!
Cidade cabe na palma da mão
Cidade cabe na palma da mão
Cidade cabe na palma da mão
Tem gente que come terra
Tem gente que bebe mijo
Tem gente que come merda
Tem gente que come detrito
Tem gente pra caralho no mundo!
terça-feira, 10 de maio de 2011
Cansei...
Nesta madrugada - obturados gases asfásticos
Nesta madrugada - néons absolutos e obsoletos
Nesta madrugada - boates subterrâneas
Com a cocaína mais barata - piratas, aventureiros, amadores
Com a cocaína mais barata - abadás desfilam na Lapa.
Nesta madrugada - um corte profundo na garganta
sangrei, mas não o suficiente
não gravei, nem postei no facebook
foi rápido demais
a festa acabou?
'Cause I'm just a soul whose intentions are good
Oh, Lord, please don't let me be misunderstood
Oh, Lord, please don't let me be misunderstood
sábado, 7 de maio de 2011
O REI MORREU
Mort de Napoléon Ier à Sainte-Hélène - Carl von Steuben
O rei morreu
O povo sofreu
Nunca houve estadista como aquele
E desapareceu
O luto comoveu
O reino está acéfalo sem ele
Suas pontes, seus canais
Aquedutos colossais
As ruas estão mais limpas
Nossos ramos tem flores
Nossas praças coloridas, mais amores
O rei morreu
O mundo sucedeu
Quem vai consolar as nossas dores
Quem prometer mais moradias
Quem vai pagar melhor os professores
Quem vai construir mais hospitais e evoluir
Nosso país à condição dos vencedores...
O rei morreu
Tudo desapareceu
Suas promessas de dias frutuosos
Seu discurso era tão lindo
Os seus ternos luxuosos
Seus brazões cegavam bem os nossos olhos
Nosso esgoto está mais preto
Nosso povo tem mais fome
Sem nem do discurso vive o pobre
Vai morrendo em sua terra sem nome
Na desesperança agora mais podre
Agora sem luz, agora sem o brilho da torre
Chafurdaremos todos em nossa miséria
Que antes era mais bela - até poética
E agora a pátria cética - chora estérica
O rei morreu! O rei morreu!
sábado, 23 de abril de 2011
Não tenho graça
Eu gostaria de ser engraçado
Como um mímico bêbado
Como um símio cínico
Como um clínico de seriado de TV
Queria o sorriso idiota de Jerry Lewis
Tirar meleca como Andy Kaufman
Beber coffee como Sienfeld
Mas não sou engraçado
Não sou humorista
Não sei imitar Silvio nem o Fausto
Não tenho cara mole de artista
Não sei contar piada
Só sei andar na pista
Não sei a do papagaio,
nem a do viado, nem a do turista
Sou sério como ferro de carvão
Como pressão de mata borrão
Como nó de gravata inglês
Como um poeta suicida japonês
Talvez porque só saiba imitar a mim mesmo
Mesmo assim, ainda com uma certa dificuldade...
Pichei no Moderno
O modernismo é uma arquitetura com hérnia
Eu pichei a parte concreta que sobrava
Linda: a mão pagã com chaga cristã
Uma nave espacial que todomundo herda
Que ninguém ousaria a achar uma merda
Diante do documento monumento
Pichei - uma palavra irreconhecível
E admirei - achei muito bonito
uma languidez nua na ciclovia
Pichei com gordas cores - pouco pastel
muito tinto.
- achei muito moderno.
- achei muito bonito.
quarta-feira, 20 de abril de 2011
Agora um descanso...
Tudo que eu mais queria na vida
Era uma casa, um jardim e um deus
Para ter teto, para ter trabalho, para orar
Para me proteger da chuva,
Para plantar alguma rara flor,
Para ter benção
Tudo o que eu mais queria
Responder ao sorriso do outro
Meter a mão na terra
E ter a segurança de ser ouvido
Tudo o que eu mais queria
Desempoeirar um vinil
Molhar as verdes folhas
E ter certeza, na incerteza da fé.
Amigos, alguma beleza, um céu.
Fim.
sábado, 9 de abril de 2011
A Transparência do Mal
"(...)quem é o culpado, o inimigo, o judas a ser malhado em praça pública? Em quem vamos mirar nossos dedos em riste, estampar em cartazes raivosos, pedir justiça, prisão, pena de morte? O circo midiático está capenga em seu elenco: temos as vítimas, o herói; mas onde está o vilão vivo?"
Ler o artigo: "A Transparência do Mal" em "Ensaios e Críticas de Cinema"
segunda-feira, 4 de abril de 2011
LOBÃO TEM RAZÃO!
Eu poderia postar qualquer música, clipe ou qualquer outra coisa do Lobão. Inclusive atendendo à pedidos da minha meia dúzia de leitores. Entretanto, esta entrevista do Lobão ao Transa Louca, na rádio Transamérica em 23/12/2010 é o substrato vibrante, nervoso e autoral do contemporâneo rock e pop no Brasil. O registro é pessimista, ácido e emblemático. Apenas um trecho dos Ramones que compacta muito bem este depoimento de Mr. Lobão: "Do you remember lying in bed/ With your covers pulled up over your head?/ Radio playin' so no one can see/ We need change, we need it fast/ Before rock's just part of the past/ 'Cause lately it all sounds the same to me". *
(*) Versos da música Do you remember Rock 'n Roll Radio? faixa N° 1 do álbum End of the Century. Não é um dos melhores, mas vale o registro.
(*) Versos da música Do you remember Rock 'n Roll Radio? faixa N° 1 do álbum End of the Century. Não é um dos melhores, mas vale o registro.
domingo, 3 de abril de 2011
Velocidade/ Eletricidade/ Felicidade
VELOCIDADE
Quando corro até sentir falta de algum sinal vermelho
É porque estas coisas de pensar, sentir e refletir
Se tornam tão fugazes que pisco e já obsolescência
ELETRICIDADE
Qual será sua aparência vista pelo meu enfoque/
pelo meu movimento?
Acontecimentos todos eles por atrito ou indução/
te acompanho?
Sangue, coração - tua usina me alimenta - kilowatts
na língua?
Sem certezas é tão mais excitante - olho o chão
e só vejo estrelas.
FELICIDADE
Ter o outro para se amar, fazer crônicas, beijar a boca
[sentir a pele
Ter o outro para cuspir, fazer críticas, atazanar o juízo
[apaixonar-se
Ter o outro para sorver, expelir, verdadeiramente
Nossos escândalos, nossos frêmitos, nossos ângulos
Confundir-se em sonhos oxigênios, sonhos carbônicos
Na alquimia do outro
No paradoxo do espelho
No além do próprio pêlo
No além do próprio corpo.
Contexto: Trilogia publicada por mim no site Nave da Palavra em 04/09/2002. Aqui, com modificações em "Felicidade".
sexta-feira, 1 de abril de 2011
Jupiter Maçã: Um Cara Duca!!!
Confesso que a primeira vez que eu escutei o álbum "Um tarde na Fruteira" fiquei impressionadíssimo. Até aí nada de mais, eu e todo mundo . Pulei logo para o antecessor do antecessor a "7° Enfervecência" (onde habita "Um Lugar do Caralho") e depois de alguma pesquisa fui desvelar que o Júpiter Maçã era o Flávio "punhetinha de verão" dos Cascavelletes. Fiquei fã do pseudônimo antes de conhecer o artista. Mas quem é Flavio Basso mesmo, hein? Este cara de Porto Alegre já assumiu tantos heteronômios e já pincelou de tantas formas o seu som que a representação superou a essência. Jupiter é assim: psico, MOD, hard-rocker, tropicalista, neo-beatnik...No "Calling All Bands" acima, single deste ano do ainda não-batizado "Undergroud Years", o artista "plastifica" sua imagem e propõe-se mais-que-som em takes walholianos. Pós-Moderno? Underground? Nem me arriscaria com um rótulo. Leiam a última entrevista do Apple já postada e respostada nos websites da vida: http://www.rockgaucho.com.br/noticias/jupiter-maca-resenha-do-show-em-bage.html
CAETANO UP TO DATE!
A capacidade de auto-revitalização de Caetano Veloso e a necessidade intrínseca de estar sempre na crista da onda nos proporcia produtos musicais perolados. O rock n' roll do artista não é novidade...para quem pensa que a coisa é branda escute "De Cara/ Eu quero esta mulher" do experimental Araçá Azul lançado pela Polygram em 1972. No album Cê (antecessor de Zii e zie, 2009) a banda homônima é formada pelos amigos de seu filho mais velho onde, no disco, imprime-se o diálogo e não a veneração. O próprio processo de escolha das faixas foi realizado com ajuda dos fãs em um hotsite do ainda projeto em 2005. A roupagem indie reveste de força e distorção a poesia não menos avassaladora de Caetano. O rock de Caetano foi desafiador e inédito nos anos 70, agora, sem obrigatoriedade do escândalo estético, é empolgante e festivo. Rock nacional? Não. Isto ele deixa para os roqueiros. É mais um trecho sonoro na estrada do velho Veloso.
Contexto: Música "Rocks" N°3 do álbum "Cê". (Universal,2006). Já o clipe faz parte do DVD "Cê ao Vivo" (Universal, 2007).
COISAS MAL RESOLVIDAS
Existem vários casos mal resolvidos
E crimes insolúveis
Várias cartas não respondidas
Telefonemas mal explicados
Mal entendidos absurdos
Recados de terceiros
Cobradores em sua porta
Telemarketing de agências de cobrança
Ervas daninhas em sua horta
Amizades coloridas
Quereres sem cor
Desejos por instinto
Paixões assentadas em túmulos expostos
Livros largados pela metade
Verdades sem pudor
Argumentos não assimilados
Ressacas persistentes, granidos de dentes
Falta de juízo,
falta de siso
ausência destes
Sujeiras embaixo do tapete
Pó na pia do banheiro
Visitas não desejadas
Revistas pornográficas na sala de estar
Comidas sem tempero, sem sal
mal hálito
Olhares de canto-de-olho
Desconfianças, alianças por interesse e sem interesse
Filmes que acabem antes das fotos
Fotos queimadas na revelação
Coisas perdidas
Achados inesperados
Feridas que coçam
Decepções, esperanças, crenças, desilusões
Mandingas, macumbas, rezas, orações
Aflições, utopias, sugestões
Discriminação, preconceitos, raiva
Desrespeitos, desculpas, desculpas
Fodas mal dadas, gozos interrompidos,
Ejaculações precoces
Beijos quadrados
sem tesão
Vidas perdidas, vidas cruzadas
vidas públicas, vidas privadas
vidas rivais, reencontros
no tempo, espaço...
Dúvidas que aceleram cardicamente
o que está iminente, passível, possível
Se resolvendo num século ou num desatino
Suspense, non-sense, susto, trilha dos sentidos
Destino?.., destino..., destino..., destino...,
destino..., destino...
Contexto: Publicado por mim em 30/08/2002 no site literário Nave da Palavra.
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