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"TEMPESTADES QUE NÃO PARAM. PARA-RAIOS QUEM NÃO TEM? MESMO QUE NÃO VENHA O TREM NÃO POSSO PARAR".
domingo, 6 de maio de 2018
NOVABOLIÇÃO

Sambar é discursar com os pés
versos de liberdade
E solfejar no chão, angolas e guinés
Nossa ancestralidade
Da janela não vejo o jongo
nem o anjinho das procissões
Apenas a violência crua
e hipócrita das religiões
E a menina samba cega
e o povo bate na palma da mão
E eu não sei mas o que presta
Carnaval ou revolução
Qual verso samba ela?
Na cartilha das milícias
entre as balas das polícias/
Nas quadras acabou a poesia
Só partidos conspirando, altas grossas
fantasias
(se seu corpo ainda está vivo
equilibra-se entre a autonomia
e o estupro coletivo)
Se essa rua fosse minha
se essa rua fosse o povo
Eu de novo cantaria
a esperança do renovo
Se essa rua fosse minha
Ah! Essa rua, esse povo
Mãos na tecnologia
mente ainda no monjolo
Meu povo nada além do bem
nada além do mal
E vai morrer na praia
como um povo cordial
Sambar é discursar com os pés
versos de liberdade
E solfejar no chão, angolas e guinés
Nossa ancestralidade
domingo, 8 de abril de 2018
MENINAS SOLARES

Mermaids of the sea,1883. Charles Edward Boutibonne
Meninas como claras tintas
num quadro aberto pelo mar
Naquele céu de queimar retinas
Em corpos a primaveirar
Vão meninas! Vênus, gaias, tássalas
Magnólias, margaridas, helicônias
Livres átomos, estrelas, pássaras
Cometas, mini deusas icônicas
A cada curva de brisa
que transpassa suas adolescências
Inspiram perfumes e benções
lumes, fontes e essências
Destrancam-se sorrisos
e surgem inexistentes belezas
novas suculentas frutas
numa natureza prenha e tesa
de fêmeas arquiteturas
domingo, 18 de março de 2018
quinta-feira, 15 de março de 2018
OURO DE MOSCOU
Você que me vira do avesso
Faz-me crer num Deus
Cujo nome desconheço
Sua lágrima manifesta um milagre
Ao atar um enlace, entre o brilho e o segredo
Quando no escuro te confesso
que não tenho mais acesso
que não tenho mais acesso
ao
meu querer/
É porquê minha dignidade
se perde na sua vontade/ de lutar e de viver
se perde na sua vontade/ de lutar e de viver
Minha carne não é mais o que sou
Meu ouro de Moscou
Meu desejo proibido
Do peito vem um grito
Como um derradeiro gol
No último segundo
Ante o último apito
Você que é meu ouro de Moscou
Que vem a sustentar
Meu íntimo clandestino
Na minha utopia alcançar
mais do que a liberdade tem pra dar,
neste cárcere que o mundo se assemelha
neste cárcere que o mundo se assemelha
Carregar esperança como bandeira
Nos músculos do teu olhar/
miro púrpura centelha.
quarta-feira, 14 de março de 2018
SEGREDO DE AMOR

fonte: https://www.webestudante.com.br/samba
Você me encheu de esperança
e alguma alegria
Um beijo no canto da boca pedia
Aquele algo a mais que eu queria prever
Nas noites de quinta-feira nervoso eu ficava
Porque no pagode sempre te encontrava
sambando com outro e nunca comigo
Assim eu seguia nervoso com a batucada
A cerveja gelada descia quadrada
e você me tratava assim como amigo
A paixão que eu sinto está represada em meu peito/
eu já não consigo nem dormir direito/
e passo os dias sempre a lamentar
A amizade é forte e sempre estarei ao seu lado
mas o meu presente, engana o passado
porque o amor sempre esteve lá!
terça-feira, 13 de março de 2018
MARCHINHA PARA ODETE

Fui num churrasco lá na casa de Odete/
cerveja já não tinha/
Pedi uma carne e só veio vinagrete
O limão tinha acabado pra fazer a caipirinha
Quem mandô, rico fazer festa /
com sushi, carpacho e petisco/
Lá colina eu não como o resta/
A cerveja é gelada e ainda tem siricutico
A água vem do poço
Não da garrafa Perrier
Mas a fartura da festa é com gosto/
Um boi a gente mata e tem birita pra valer
A água vem do poço
Não da garrafa Perrier
do galeto sei que não roo o osso
A vida é muita dura sem orgia pra fazer!
PARE COM O SOL

Pare com o sol
pare com as manhãs
pare com as manias
fatias de maças/ estivais
Mire no verão
teu corpo é solar
Mais vale um segundo certo
do que dias tristes/ sem luar
Vem, quero certo tua certeza
Vem, quero paz na tua beleza
Arde cores fortes do romã
Vem, quero morder tua boca
Vem, quero esta não a outra
Madura carne tua hortelã
SUAVE MISTÉRIO
Deixa eu fazer você
Pensar em mim, porquê
Só eu tenho prazer
Que você tanto deseja
Fazer do amor buquê
O plural do saber
Da alma vem o bem querer
E que assim seja
Vem sonhar o sonho comum
Que dois corações sejam um
Do acaso da vida/
Certeza e alegria/
melodia moderna de blues
Do terraço enxergo os prédios
Lembra teu suave mistério
A coisa urbana, leve e humana
de não levar nada a sério
sábado, 25 de abril de 2015
MADONA DO CONFETE
Ela curte carnaval
ela oculta sua tristeza
é o eclipse de um mal
ela vai e vira a mesa
Vira mesa contra o tempo
movimento de ninji-tsu
Avessa à todo o elemento
é o princípio, é um mito
Eu acho que ela é osho
Eu acho que ela é buda
Vai além do dalai lama
nasce flor depois da luta
Sua beleza é o que inspira
Que respira quando aflito
Lá na rua quando mira
A esquina do infinito
Ramais de trem
Linhas de alta tensão
Carnavais que vão e vem
Carnavais que ainda virão
quarta-feira, 18 de março de 2015
INTRODUÇÃO AO DESAPARECIMENTO DO EU
O
nascimento e a morte do
sujeito moderno.
Por Michel
Aires de Souza
O problema da sujeito não é um velho problema do
pensamento filosófico ocidental. Este problema tem sua origem no mundo
moderno. Os antigos Gregos criaram uma extensa gama de
conhecimentos científicos, como também os grandes fundamentos do pensamento
filosófico e do pensamento político, contudo nunca pensaram o problema do
sujeito. Os Gregos estavam mais interessados em especular sobre os
problemas da natureza (physis) O que eles buscavam era uma
explicação racional e sistemática do universo. É através do estudo da origem e
movimento da vida natural que os primeiros filósofos criaram uma extensa gama
de conhecimentos científicos, como a física, a matemática, a astronomia e a
lógica, dando origem ao pensamento ocidental.
Se
a preocupação dos antigos era desvendar a origem e as transformações da
natureza, o grande problema da filosofia moderna ocidental era indagar sobre o
conhecimento. O colapso da ordem social, econômica e cultural medieval
possibilitaram ao homem moderno o interesse pelo conhecimento. O
valores como racionalismo, humanismo e antropocentrismo
tornaram-se essenciais para libertá-lo das amarras da ordem feudal e da
Igreja. A partir desses valores ele aprendeu inquirir, investigar e decifrar
sua própria realidade. O homem colocou-se a si próprio como centro
dos interesses e decisões de sua própria vida. Com o avanço do pensamento
e das ciências, ele passa a se interessar pelo modo como conhecemos
o mundo. Ele se afasta de metas transcendentes, deixando de se
preocupar com outro mundo e passa a se preocupar com esta vida, com este mundo.
O indivíduo ganha consciência de sua subjetividade essencial.
Entre a realidade e o conhecimento está o sujeito. Este passa
a ser o motivo de suas preocupações.
Os gregos conceberam o conhecimento da realidade como desvelamento. A verdade é
aquilo que se desvela. Conhecer é contemplar a vida como ela é,
deixando-a falar por si mesma. Já para a filosofia moderna o
conhecimento da realidade dá-se como representação. O conhecimento só é
possível como relação entre o sujeito que conhece (ser cognoscente) e o objeto
(ser cognoscível). O sujeito projeta seus modos ou estruturas perceptivas no
objeto para captar suas características e propriedades. É dessa relação
cognitiva que surge o conhecimento. Por esta razão, a noção de sujeito
torna-se fundamental na investigação do conhecimento da realidade.
No século XVII, o filósofo francês René Descartes (1596-1650) vai ser o
primeiro a colocar a pergunta “O que sou?”. Sua resposta: “uma coisa que
pensa”. A certeza do cogito inaugura a noção de sujeito moderno. A
subjetividade torna-se o fundamento do sujeito do conhecimento. Em seu
livro “Discurso do método”, ao duvidar de todo conhecimento que o
precedeu, Descartes procurou a verdade no grande livro do mundo. Seu ponto de
partida era a busca de um axioma que pudesse servir de fundamento a todo
conhecimento, uma verdade primeira indubitável. A partir da
dúvida Descartes chega a uma verdade certa e segura,o eu penso: “cogito ergo sum”. Se duvido, eu penso; se penso,
eu existo. O eu cartesiano é puro pensamento (res cogitans). O pensamento é o
lugar da verdade, é o puro intelecto, pois é por meio dele que adquirimos as
idéias claras e distintas. É esse puro intelecto que se torna o núcleo do
sujeito moderno.
O filósofo Emannuel kant (1724-1804) também contribui para a
construção da noção de sujeito no mundo moderno. Para indagar sobre a natureza
de nossos conhecimento ele colocou a razão num tribunal para poder julgar o que
podemos conhecer e o que não podemos conhecer, traçando os limites de nosso
pensamento. Com isso descobriu que a consciência só lida com fenômenos.
O real não é algo externo ao indivíduo, mas este o produz no
interior de si mesmo. Somos nós que através de certas faculdades apriori
(estabelecidos independentes da experiência) organizamos e damos sentido e
coerência ao real. O conhecimento surge como representação. A razão
seria essa capacidade que o ser humano tem, partindo de princípios apriori,
representar e conhecer o mundo. Em consequência disso, na teoria kantiana a
razão torna-se o núcleo do sujeito moderno.
Outro filósofo importante na construção do sujeito moderno foi o filósofo
das Luzes Jean-Jacques Rousseau (1712-1778). A diferença em relação a
Descartes e Kant é que ele não coloca a razão como o
núcleo do sujeito, uma vez que a reflexão surge tardiamente no homem. No seu
texto “Discurso sobre
a desigualdade entre os homens” Rousseau afirma que o homem em
estado de natureza é desprovido de razão e reflexão, sendo que estas faculdades
são típicas do estado de sociedade. A reflexão e a razão surgem no ser humano a
partir de uma característica distintiva no ser humano, que é sua
perfectibilidade, isto é, sua faculdade de se aperfeiçoar. É essa capacidade
distintiva e quase ilimitada de desenvolver suas potencialidade que tirou o
homem do estado de natureza e o tornou um ser sociável. Se a reflexão surge
tardiamente no homem, então existiria uma única virtude
natural no ser humano em seu estado de natureza: o sentimento moral de piedade,
entendida como uma “repugnância inata de ver sofrer seu semelhante”. Decorre
daí para Rousseau a ideia de bom selvagem. Foi através da piedade que
surgiram todos os sentimentos sociais como a generosidade, a clemência, a
benquerença e a comiseração. O sujeito é antes de tudo um ser do sentimento e
não da razão. Dessa forma o sentimento moral relaciona-se com a noção de
sujeito no pensamento de Rousseau.
É a partir do mundo moderno que o sujeito ganha certas
capacidades humanas fixas e um sentimento estável de seu próprio eu. Ele
ganha consciência que é uma identidade racional, moral e psicológica. Ele
torna-se um ser soberano, autônomo, fixo, estável, compreendendo
que é um ser que pensa, sente, reflete e age e interage com o
mundo objetivo. É a partir da modernidade que ele ganha consciência de sua vida
interior como transparente a si mesmo, como ator de suas idéias e de seus atos.
Esse contato do homem consigo mesmo só foi possível graças aos movimentos
modernos, como renascimento, protestantismo e iluminismo, que
libertaram a consciência individual das instituições religiosas medievais.
Mas
esta noção de um sujeito fixo, estável, soberano não durou muito. Com
o avanço do
progresso do pensamento e do desenvolvimento técnico e científico, noções
como verdade, justiça, razão, bem, mal, virtude, Deus, foram
relativizados. O progresso do conhecimento colocou em dúvida e levou à
perda de consistência dos valores absolutos da modernidade. Em
conseqüência disso, o sujeito racional e autônomo foi problematizado, uma
vez que se colocava como uma entidade metafísica dada apriori, como algo
absoluto.
O primeiro pensador que começou a descontruir a noção
de sujeito foi Karl Marx (1818-1883) no decorrer do século XIX. Na
concepção do materialismo-histórico, o sujeito é determinado por aquilo
que ele faz, é determinado pelo seu ser social. “A forma como os
indivíduos manifestam a sua vida, reflete muito exatamente aquilo que são. O
que são coincide, portanto, com a sua produção, isto é, tanto com aquilo que
produzem como a forma como produzem. Aquilo que os indivíduos são
depende, portanto, das condições materiais de sua produção” (Marx, 1976, p.19).
É o comportamento material do homem que fomenta suas representações e
pensamento. Marx nos ensinou que, se examinarmos a maneira pelas quais os
homens produzem os bens necessários à vida, é possível compreender as formas de
seu pensamento, tais como sua moral, religião e filosofia. O pensamento, como
núcleo da sujeito, torna-se o reflexo do desenvolvimento material
objetivo da história.
Tal
como Marx, Friedrich Nietzsche (1844-1900) desconstruiu a noção de
sujeito moderno.
Ele se opõe à ideia de origem do sujeito e passa a
compreender este através de uma genealogia, que o concebe emergindo através de
relações de poder, através de um turbilhão de forças que o atinge. O sujeito se
constitui no terreno dos acontecimentos históricos, das contradições, das
relações de força e poder. O conceito de genealogia concebe o sujeito enquanto
ser no mundo, onde o corpo se torna visível e um efeito dos embates de forças.
Dessa forma, o próprio conceito de “eu” fixo e estável perde
sentido, pois o homem é uma espécie cujas qualidades não estão fixadas.
Após Nietzsche, Sigmund Freud (1856-1939) deu um duro
golpe no narcisismo da humanidade. Ele procurou mostrar que o ser humano é
dominado por impulsos cegos e irracionais inconcientes. Não somos seres
autônomos e racionais donos de si mesmo. O Eu (Ego) “não é senhor em sua
própria casa”, o sujeito não é um ser da consciência, mas sim da
inconsciência, não é um ser da razão, mas sim é governado por um
querer cego e irracional, destituído de sentido e finalidade.
Outro
filósofo importante que desconstruiu a noção de sujeito iluminista foi
Michel Foucault (1926-1984). Ele dedicou toda sua vida a criar uma história dos
diferentes modos pelos quais, em nossa cultura, os seres humanos tornaram-se
sujeitos. Ele retoma a genealogia nietzschiana dedicando-se a estudar a
história das instituições disciplinares que surgiram na modernidade e pensa a
constituição do sujeito a partir de formas de discursos e de relações de
poder. Foucault percebeu em suas pesquisas empíricas que a partir
do século XVII, através do inquérito, ou seja, de certas formas de análise de
problemas jurídicos, judiciários e penais, surgem conhecimentos como a
sociologia, a psicopatologia, a criminologia e a psicanálise. Através
dessas práticas regulares de controle, que se modificaram através da história,
definiram-se tipos de subjetividade, individualidade e técnicas de
esquadrinhamento disciplinar, que tornaram o corpo do indivíduo útil à
produtividade. Isso significa que o sujeito moderno dócil, serviçal,
trabalhador e responsável se constitui através de práticas disciplinares em
instituições de controle como o hospital, a prisão, a fábrica e a
escola.
Os membros da escola de frankfurt também detectaram à dissolução do
indvíduo autônomo do iluminismo. A partir da segunda metade do século dezenove
a humanidade passou a experenciar o advento da técnica e da sociedade de
massas. Adorno e Horkheimer em seu clássico livro “Dialética do Esclarecimento”
mostra-nos de forma contundente as consequências do advento da
técnica. Neste livro eles argumentam que razão do iluminismo
não se realizou enquanto força histórica, mas tornou-se um mito, uma
abstração. Ela transformou-se em um simples instrumento formal, técnico e
operacional, que pode ser usado para todos os fins. Foi através da razão que a
humanidade em vez de entrar em um estado verdadeiramente humano sucumbiu a um
estado de barbárie e regressão social. A razão formal tornou racionalidade
instrumental, ou seja, tornou-se relação calculada entre meios e
fins. Com o advento dessa racionalidade os indivíduos
se adaptaram à sociedade e ao domínio social de forma espontânea. A produção,
distribuição de mercadorias, o trabalho e os entretenimentos da sociedade
capitalista invadiram à subjetividade do indivíduo autônomo. A racionalidade
instrumental atingiu todos os setores da vida social, tornando os controles
tecnológicos a própria personificação da razão. Eliminou com isso qualquer
tentativa de ruptura. O aparato produtivo e as mercadorias se impuseram
ao sistema social como um todo. Os consumidores, prisioneiros do capital,
prenderam-se agradavelmente aos produtos e às formas de bem estar social. Dessa
forma, o indivíduo autônomo desapareceu. A subjetividade foi tomada pelos
controles tecnológicos.
Nota-se que a ideía
de um sujeito acabado, pronto, estável, como se fosse uma identidade
metafísica deixa de existir. Essa é a grande descoberta daqueles que
desconstruiram a noção de sujeito no mundo moderno. O que se pode inferir,
portanto, é que, se o sujeito não é nada, então ele é, como sugeriu
Locke, uma tabula rasa, é uma folha em branco, cujas impressões do mundo
vão formando o núcleo da subjetividade. Em consequencia disso, só podemos
entender o sujeito em sua relação com a história, através das
circunstâncias que o constitui. O sujeito torna-se o que se é
historicamente, no interior das praticas sociais.
BibliografiaADORNO, Theodor; HORKHEIMER, Max. Dialética do Esclarecimento. Rio de janeiro: Jorge Zarhar, 1985.
DESCARTES, R. Descartes, R. Meditações Metafísicas. São Paulo: Abril Cultural, 1973.
FREUD, S. O mal estar na civilização. Rio de Janeiro, Imago,Edições Standard, Tomo XXI ,1969.
FOUCAULT, Michel. Microfísica do Poder. Trad. Roberto Machado. Rio de Janeiro: Graal, 1989
KANT, I. Crítica da razão pura. São Paulo: Abril cultural, 1983 (Os Pensadores).
MARX, K. e ENGELS,F. A ideologia Alemã. São Paulo, Hucitec,1984.
NIETZSCHE, F. Genealogia da Moral. Trad. Paulo César Souza. São Paulo, Brasiliense, 1988.
segunda-feira, 2 de março de 2015
GLADIADORES: SERÁ QUE JÁ VIMOS ESTE FILME ANTES?
Na Roma Antiga, os gladiadores eram escravos altamente treinados para lutarem entre si e
até morte nas arenas do império. O espetáculo sangrento era parte da política do "Panis et
circensis" romano, com equipes privadas de lutadores numa lucrativa bolsa de apostas, muito além do mero entretenimento. Uma estratégia do establishment romano. Antes do Imperador Constatino, as arenas eram palco da execução de cristãos, não raro com bigas e leões famintos.
Quando a Universal do Reino de Deus divulga vídeos dos seus Gladiadores do Altar, imediatamente
nos remete à uma alegoria fascistóide, uma milícia manobrada pelo "imperador" para
sustentar uma estratégia de poder. A marcha ao altar, mesmo descujuntada e ridícula, não nos parece um exército evangelizador, mas uma tropa fundamentalista pronta para uma ação longe de qualquer semelhança com a filosofia cristã.
No filme "A Onda" (Dennis Gansel, 2008) temos o relato de um experimento escolar que
culminou numa tragédia. O filme mostra que ódio e frustração são ingredientes tenebrosos quanto
juntamos com pulsão juvenil e desejo de aceitação. A ala neo-penteconstal alimenta a volta por cima dos humilhados, o discurso da "tomada de posse" e o desejo de reparação sob um sistema "moderno" que nos condena à degradação física e moral. É a lógica deturpada da redenção numa "igreja" cheia de superlativos. Uniformes verde-oliva e líderes carismáticos: basta um grito em uníssono, para acender um inexorável rastro de pólvora.
Não sei quais são as intenções e nem o modus operandi evangelizador dos Gladiadores do Bispo Macedo. Não há esta clareza em seu site oficial. Dentre todas as alegorias encenadas nos cultos neo-pentencostais (procissões com a arca da aliança, lençóis gigantescos, corredores humanos...), a metáfora dos portadores do gládio para expressar a fé evangelizadora inabalável foi extremamente infeliz. Abre espaço para dúzias de interpretações.
Tanto dos leigos, quanto dos próprios líderes do império Universal.
sexta-feira, 20 de junho de 2014
Ideia Fugidia
A quanto tempo não escrevo
o quanto do tempo que atrevo
a escrever sobre o tempo
Quando se dilui o argumento
Na fala de algum elemento
Para se tornar eloquente
Na treva da ideia tosca
Na ilusão de uma rima enrosca
Parafusa o verbo demente
Incandescente na mente
Nem sente que some, somente
Quando torna a nascer
A ideia o tempo é semente
Que confesso tranquilamente
Na fala seca insistenteDepois que torna a morrer.
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