domingo, 6 de maio de 2018

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Êxtase ambivalente.  Robert Maple Soap exibição de fotografia "MEMENTO MORI", realizada na Chanel · Nexus · Hall de 14 de março
http://www.sothebys.com/it/auctions/ecatalogue/2011/photographs-pf1120/lot.115.html

Robert Mapplethorpe (1946 - 1989)

ORCHID, 1988
SILVER PRINT, PRINTED 1988. WITH THE PHOTOGRAPHER'S COPYRIGHT STAMP SIGNED BY THE PHOTOGRAPHER, NUMBERED 3/10 . MOUNTED AND FRAMED.

LADYTRON


tHE aNiMAls (vince clark, remix)
ladytron, 2018

NOVABOLIÇÃO

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Sambar é discursar com os pés 
versos de liberdade
E solfejar no chão, angolas e guinés
Nossa ancestralidade

Da janela não vejo o jongo
nem o anjinho das procissões
Apenas a violência crua
e hipócrita das religiões

E a menina samba cega
e o povo bate na palma da mão
E eu não sei mas o que presta
Carnaval ou revolução

Qual verso samba ela?
Na cartilha das milícias
entre as balas das polícias/
Nas quadras acabou a poesia
Só partidos conspirando, altas grossas
fantasias

(se seu corpo ainda está vivo
equilibra-se entre a autonomia
e o estupro coletivo)

Se essa rua fosse minha
se essa rua fosse o povo
Eu de novo cantaria 
a esperança do renovo

Se essa rua fosse minha
Ah! Essa rua, esse povo
Mãos na tecnologia
mente ainda no monjolo

Meu povo nada além do bem
nada além do mal
E vai morrer na praia
como um povo cordial

Sambar é discursar com os pés
versos de liberdade
E solfejar no chão, angolas e guinés
Nossa ancestralidade


domingo, 8 de abril de 2018

MENINAS SOLARES

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Mermaids of the sea,1883. Charles Edward Boutibonne

Meninas como claras tintas
num quadro aberto pelo mar
Naquele céu de queimar retinas
Em corpos a primaveirar

Vão meninas! Vênus, gaias, tássalas
Magnólias, margaridas, helicônias
Livres átomos, estrelas, pássaras
Cometas, mini deusas icônicas

A cada curva de brisa
que transpassa suas adolescências
Inspiram perfumes e benções
lumes, fontes e essências

Destrancam-se sorrisos
e surgem inexistentes belezas
novas suculentas frutas
numa natureza prenha e tesa
de fêmeas arquiteturas 

quinta-feira, 15 de março de 2018

OURO DE MOSCOU

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Você que me vira do avesso
Faz-me crer num Deus
Cujo nome desconheço

Sua lágrima manifesta um milagre
Ao atar um enlace, entre o brilho e o segredo

Quando no escuro te confesso
que não tenho mais acesso
ao meu querer/
É porquê minha dignidade
se perde na sua vontade/ de lutar e de viver

Minha carne não é mais o que sou
Meu ouro de Moscou
Meu desejo proibido
Do peito vem um grito
Como um derradeiro gol
No último segundo
Ante o último apito

Você que é meu ouro de Moscou
Que vem a sustentar
Meu íntimo clandestino

Na minha utopia alcançar
mais do que a liberdade tem pra dar,
neste cárcere que o mundo se assemelha
Carregar esperança como bandeira
Nos músculos do teu olhar/
miro púrpura centelha.

RIO: CIDADE ABERTA OCUPADA PELO MEDO


quarta-feira, 14 de março de 2018

Meu Top 5 - sem ordem - de Sci Fi de todos os tempos


FILHOS DA ESPERANÇA
ALFONSO CUARÓN, 2006

SEGREDO DE AMOR

Roda de Samba
fonte: https://www.webestudante.com.br/samba

Você me encheu de esperança
e alguma alegria
Um beijo no canto da boca pedia
Aquele algo a mais que eu queria prever

Nas noites de quinta-feira nervoso eu ficava
Porque no pagode sempre te encontrava
sambando com outro e nunca comigo

Assim eu seguia nervoso com a batucada
A cerveja gelada descia quadrada
e você me tratava assim como amigo

A paixão que eu sinto está represada em meu peito/
eu já não consigo nem dormir direito/
e passo os dias sempre a lamentar
A amizade é forte e sempre estarei ao seu lado
mas o meu presente, engana o passado
porque o amor sempre esteve lá!

terça-feira, 13 de março de 2018

O LIMITE DO POEMA

MARCHINHA PARA ODETE

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Fui num churrasco lá na casa de Odete/
cerveja já não tinha/
Pedi uma carne e só veio vinagrete
O limão tinha acabado pra fazer a caipirinha

Quem mandô, rico fazer festa /
com sushi, carpacho e petisco/
Lá colina eu não como o resta/
A cerveja é gelada e ainda tem siricutico

A água vem do poço
Não da garrafa Perrier
Mas a fartura da festa é com gosto/
Um boi a gente mata e tem birita pra valer

A água vem do poço
Não da garrafa Perrier
do galeto sei que não roo o osso
A vida é muita dura sem orgia pra fazer!

PARE COM O SOL

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Pare com o sol
pare com as manhãs
pare com as manias
fatias de maças/ estivais

Mire no verão
teu corpo é solar
Mais vale um segundo certo
do que dias tristes/ sem luar

Vem, quero certo tua certeza
Vem, quero paz na tua beleza
Arde cores fortes do romã
Vem, quero morder tua boca
Vem, quero esta não a outra
Madura carne tua hortelã

SUAVE MISTÉRIO

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Deixa eu fazer você
Pensar em mim, porquê
Só eu tenho prazer
Que você tanto deseja

Fazer do amor buquê
O plural do saber
Da alma vem o bem querer
E que assim seja

Vem sonhar o sonho comum
Que dois corações sejam um
Do acaso da vida/
Certeza e alegria/
melodia moderna de blues

Do terraço enxergo os prédios
Lembra teu suave mistério
A coisa urbana, leve e humana
de não levar nada a sério

ESTRADA


sábado, 25 de abril de 2015

MADONA DO CONFETE



Ela curte carnaval
ela oculta sua tristeza
é o eclipse de um mal
ela vai e vira a mesa

Vira mesa contra o tempo
movimento de ninji-tsu
Avessa à todo o elemento
é o princípio, é um mito

Eu acho que ela é osho
Eu acho que ela é buda
Vai além do dalai lama
nasce flor depois da luta

Sua beleza é o que inspira
Que respira quando aflito
Lá na rua quando mira
A esquina do infinito

Ramais de trem
Linhas de alta tensão
Carnavais que vão e vem
Carnavais que ainda virão

quarta-feira, 18 de março de 2015

INTRODUÇÃO AO DESAPARECIMENTO DO EU

O nascimento e a morte do
sujeito moderno.
Por Michel Aires de Souza

O problema da sujeito não é um velho problema do pensamento filosófico ocidental. Este problema tem sua origem no mundo moderno.   Os antigos Gregos  criaram uma extensa gama de conhecimentos científicos, como também os grandes fundamentos do pensamento filosófico e do pensamento político, contudo  nunca pensaram o problema do sujeito.   Os Gregos estavam mais interessados em especular sobre os problemas da natureza (physis)  O que eles  buscavam era uma explicação racional e sistemática do universo. É através do estudo da origem e movimento da vida natural que os primeiros filósofos criaram uma extensa gama de conhecimentos científicos, como a física, a matemática, a astronomia e a lógica,  dando origem ao pensamento ocidental.  

      Se a preocupação dos antigos era desvendar a origem e as transformações da natureza, o grande problema da filosofia moderna ocidental era indagar sobre o conhecimento. O colapso da ordem social, econômica e cultural medieval possibilitaram ao homem moderno o  interesse pelo conhecimento.  O valores como racionalismo,  humanismo e  antropocentrismo tornaram-se  essenciais para libertá-lo das amarras da ordem feudal e da Igreja. A partir desses valores ele aprendeu inquirir, investigar e decifrar sua própria realidade.  O homem  colocou-se a si próprio como centro dos interesses e decisões de sua própria vida.  Com o avanço do pensamento e das ciências, ele  passa a se interessar pelo modo como conhecemos o mundo. Ele  se afasta de metas transcendentes, deixando de se preocupar com outro mundo e passa a se preocupar com esta vida, com este mundo. O indivíduo  ganha consciência de sua subjetividade essencial.  Entre a realidade  e o conhecimento está o sujeito. Este  passa a ser o motivo de suas preocupações.   

        Os gregos conceberam o conhecimento da realidade como desvelamento. A verdade é aquilo que se desvela. Conhecer é contemplar a vida como ela é, deixando-a  falar por si mesma.  Já para a filosofia moderna  o conhecimento da realidade dá-se como representação.  O conhecimento só é possível como relação entre o sujeito que conhece (ser cognoscente) e o objeto (ser cognoscível). O sujeito projeta seus modos ou estruturas perceptivas no objeto para captar suas características e propriedades. É dessa relação cognitiva  que surge o conhecimento. Por esta razão, a noção de sujeito torna-se fundamental na investigação do conhecimento da realidade. 

          No século XVII, o filósofo francês René Descartes (1596-1650) vai ser o primeiro a colocar  a pergunta “O que sou?”. Sua resposta: “uma coisa que pensa”.  A certeza do cogito inaugura a noção de sujeito moderno. A subjetividade torna-se o fundamento do sujeito do conhecimento.  Em seu livro “Discurso do método”, ao duvidar de todo conhecimento  que o precedeu, Descartes procurou a verdade no grande livro do mundo. Seu ponto de partida era a busca de um axioma que pudesse servir de fundamento a todo conhecimento, uma  verdade primeira indubitável.  A partir da dúvida  Descartes chega a uma verdade certa e segura,o eu penso:  “cogito ergo sum”. Se duvido, eu penso; se penso, eu existo. O eu cartesiano é puro pensamento (res cogitans). O pensamento é o lugar da verdade, é o puro intelecto, pois é por meio dele que adquirimos as idéias claras e distintas. É esse puro intelecto que se torna o núcleo do sujeito  moderno.

         O filósofo Emannuel kant (1724-1804) também contribui para a construção da noção de sujeito no mundo moderno. Para indagar sobre a natureza de nossos conhecimento ele colocou a razão num tribunal para poder julgar o que podemos conhecer e o que não podemos conhecer, traçando os limites de nosso pensamento. Com isso descobriu que a consciência só lida com fenômenos.     O real não é algo externo ao indivíduo, mas este o produz no interior de si mesmo. Somos nós que através de certas faculdades apriori (estabelecidos independentes da experiência) organizamos e damos sentido e coerência ao real.  O conhecimento surge como representação.  A razão seria  essa capacidade que o ser humano tem, partindo de princípios apriori, representar e conhecer o mundo. Em consequência disso, na teoria kantiana a razão torna-se o núcleo do sujeito moderno.

            Outro filósofo importante na construção do sujeito  moderno foi o filósofo das Luzes  Jean-Jacques Rousseau (1712-1778). A diferença em relação a Descartes e Kant  é que  ele  não coloca a razão como o núcleo do sujeito, uma vez que a reflexão surge tardiamente no homem. No seu texto  “Discurso sobre a desigualdade entre os homens” Rousseau afirma que o homem em estado de natureza é desprovido de razão e reflexão, sendo que estas faculdades são típicas do estado de sociedade. A reflexão e a razão surgem no ser humano a partir de uma característica distintiva no ser humano, que é sua perfectibilidade, isto é, sua faculdade de se aperfeiçoar. É essa capacidade distintiva e quase ilimitada de desenvolver suas potencialidade que tirou o homem do estado de natureza e o tornou um ser sociável. Se a reflexão surge tardiamente no homem,  então  existiria   uma única virtude natural no ser humano em seu estado de natureza: o sentimento moral de piedade, entendida como uma “repugnância inata de ver sofrer seu semelhante”. Decorre daí para Rousseau  a ideia de bom selvagem. Foi através da piedade que surgiram todos os sentimentos sociais  como a generosidade, a clemência, a benquerença e a comiseração. O sujeito é antes de tudo um ser do sentimento e não da razão. Dessa forma o sentimento moral relaciona-se com a noção de sujeito no pensamento de Rousseau.

          É a partir do mundo moderno que o sujeito ganha certas capacidades humanas fixas e um sentimento estável de seu próprio eu.  Ele ganha consciência que é  uma identidade racional, moral e psicológica. Ele torna-se um ser soberano, autônomo,  fixo, estável,  compreendendo que é um ser que pensa,  sente, reflete  e age e  interage com o mundo objetivo. É a partir da modernidade que ele ganha consciência de sua vida interior como transparente a si mesmo, como ator de suas idéias e de seus atos. Esse contato do homem consigo mesmo só foi possível graças aos movimentos modernos, como renascimento,  protestantismo e  iluminismo,  que libertaram a consciência individual das instituições religiosas medievais.

        Mas esta noção de um sujeito fixo, estável, soberano não durou muito. Com o avanço do progresso do pensamento e do desenvolvimento técnico e científico,  noções como verdade, justiça, razão, bem, mal, virtude, Deus, foram relativizados.  O progresso do conhecimento colocou em dúvida e levou à perda de consistência dos valores absolutos da modernidade.  Em conseqüência disso, o sujeito racional e autônomo  foi problematizado, uma vez que se colocava como uma entidade metafísica dada apriori, como algo absoluto.  
           O primeiro pensador que começou a descontruir a noção de  sujeito foi Karl Marx (1818-1883) no decorrer do século XIX.  Na concepção do materialismo-histórico, o sujeito é determinado  por aquilo que ele faz,  é determinado pelo seu ser social.  “A forma como os indivíduos manifestam a sua vida, reflete muito exatamente aquilo que são. O que são coincide, portanto, com a sua produção, isto é, tanto com aquilo que produzem como a forma como produzem. Aquilo que os  indivíduos são depende, portanto, das condições materiais de sua produção” (Marx, 1976, p.19).  É o comportamento material do homem que fomenta suas representações e pensamento. Marx nos ensinou que, se examinarmos a maneira pelas quais os homens produzem os bens necessários à vida, é possível compreender as formas de seu pensamento, tais como sua moral, religião e filosofia. O pensamento, como núcleo da sujeito,  torna-se o reflexo do desenvolvimento material objetivo da história.

           Tal como Marx,  Friedrich Nietzsche (1844-1900) desconstruiu a noção de sujeito moderno.  Ele  se opõe à ideia de  origem do sujeito e passa a compreender este através de uma genealogia, que o concebe emergindo através de relações de poder, através de um turbilhão de forças que o atinge. O sujeito se constitui no terreno dos acontecimentos históricos, das contradições, das relações de força e poder. O conceito de genealogia concebe o sujeito enquanto ser no mundo, onde o corpo se torna visível e um efeito dos embates de forças. Dessa forma,   o próprio conceito de “eu” fixo e estável perde sentido, pois o homem é uma espécie cujas qualidades não estão fixadas.
         Após Nietzsche,  Sigmund Freud (1856-1939) deu um duro golpe no narcisismo da humanidade. Ele procurou mostrar que o ser humano é dominado por impulsos cegos e irracionais inconcientes. Não somos seres autônomos e racionais donos de si mesmo. O Eu (Ego) “não é senhor em sua própria casa”, o sujeito não é um ser da consciência, mas sim da inconsciência,  não é um ser da razão, mas sim é governado por um querer cego e irracional, destituído de sentido e finalidade.  

         Outro filósofo importante que desconstruiu a noção de sujeito iluminista  foi Michel Foucault (1926-1984). Ele dedicou toda sua vida a criar uma história dos diferentes modos pelos quais, em nossa cultura, os seres humanos tornaram-se sujeitos. Ele retoma a genealogia nietzschiana dedicando-se a estudar a história das instituições disciplinares que surgiram na modernidade e pensa a constituição do sujeito a partir de formas de discursos e de relações de poder.  Foucault percebeu em suas pesquisas empíricas que  a partir do século XVII, através do inquérito, ou seja, de certas formas de análise de problemas jurídicos, judiciários e penais, surgem conhecimentos como a sociologia, a psicopatologia, a criminologia e a psicanálise.  Através dessas práticas regulares de controle, que se modificaram através da história, definiram-se tipos de subjetividade, individualidade e técnicas de esquadrinhamento disciplinar, que tornaram o corpo do indivíduo útil à produtividade. Isso significa que o sujeito moderno dócil, serviçal, trabalhador e responsável se constitui através de práticas disciplinares em instituições de controle  como o hospital, a prisão, a fábrica  e a escola.

             Os membros da escola de frankfurt também detectaram à dissolução do indvíduo autônomo do iluminismo. A partir da segunda metade do século dezenove a humanidade passou a experenciar o advento da técnica  e da sociedade de massas.    Adorno e Horkheimer em seu clássico livro “Dialética do Esclarecimento” mostra-nos de forma  contundente as consequências do advento da técnica.  Neste livro  eles argumentam que  razão do iluminismo não se realizou enquanto força histórica, mas  tornou-se um mito, uma abstração. Ela transformou-se em um simples instrumento formal, técnico e operacional, que pode ser usado para todos os fins. Foi através da razão que a humanidade em vez de entrar em um estado verdadeiramente humano sucumbiu a um estado de barbárie e regressão social. A razão formal tornou racionalidade instrumental, ou seja,   tornou-se relação calculada entre meios e fins.   Com o advento dessa  racionalidade  os indivíduos se adaptaram à sociedade e ao domínio social de forma espontânea. A produção, distribuição de mercadorias, o trabalho e os entretenimentos da sociedade capitalista invadiram à subjetividade do indivíduo autônomo. A racionalidade instrumental atingiu todos os setores da vida social, tornando os controles tecnológicos a própria personificação da razão. Eliminou com isso qualquer tentativa de ruptura. O aparato produtivo e as mercadorias se impuseram  ao sistema social como um todo. Os consumidores, prisioneiros do capital, prenderam-se agradavelmente aos produtos e às formas de bem estar social. Dessa forma, o indivíduo autônomo desapareceu. A subjetividade foi tomada pelos controles tecnológicos.


             Nota-se que a ideía de um sujeito acabado, pronto, estável, como se fosse uma identidade metafísica deixa de existir.  Essa é a grande descoberta daqueles que desconstruiram a noção de sujeito no mundo moderno. O que se pode inferir, portanto,  é que, se o sujeito não é nada, então ele é,  como sugeriu Locke,  uma tabula rasa, é uma folha em branco, cujas impressões do mundo vão formando o núcleo da subjetividade.  Em consequencia disso, só podemos entender o sujeito  em sua relação com a história, através das circunstâncias que o constitui.  O sujeito torna-se o que se é historicamente,  no interior das praticas sociais. 

BibliografiaADORNO, Theodor; HORKHEIMER, Max. Dialética do Esclarecimento. Rio de janeiro: Jorge Zarhar, 1985.


DESCARTES, R. Descartes, R. Meditações Metafísicas. São Paulo: Abril Cultural, 1973.


FREUD, S. O mal estar na civilização. Rio de Janeiro, Imago,Edições Standard, Tomo  XXI ,1969.


FOUCAULT, Michel. Microfísica do Poder. Trad. Roberto  Machado. Rio de Janeiro: Graal, 1989


KANT, I. Crítica da razão pura. São Paulo: Abril cultural, 1983 (Os Pensadores).


MARX, K. e ENGELS,F. A ideologia Alemã. São Paulo, Hucitec,1984.


NIETZSCHE, F. Genealogia da Moral. Trad. Paulo César Souza. São Paulo,  Brasiliense, 1988.


segunda-feira, 2 de março de 2015

GLADIADORES: SERÁ QUE JÁ VIMOS ESTE FILME ANTES?


Na Roma Antiga, os gladiadores eram escravos altamente treinados para lutarem entre si e
até morte nas arenas do império. O espetáculo sangrento era parte da política do "Panis et
circensis" romano, com equipes privadas de lutadores numa lucrativa bolsa de apostas, muito além do mero entretenimento. Uma estratégia do establishment romano. Antes do Imperador Constatino, as arenas eram palco da execução de cristãos, não raro com bigas e leões famintos.

Quando a Universal do Reino de Deus divulga vídeos dos seus Gladiadores do Altar, imediatamente
nos remete à uma alegoria fascistóide, uma milícia manobrada pelo "imperador" para
sustentar uma estratégia de poder. A marcha ao altar, mesmo descujuntada e ridícula, não nos parece um exército evangelizador, mas uma tropa fundamentalista pronta para uma ação longe de qualquer semelhança com a filosofia cristã.

No filme "A Onda" (Dennis Gansel, 2008) temos o relato de um experimento escolar que
culminou numa tragédia. O filme mostra que ódio e frustração são ingredientes tenebrosos quanto
juntamos com pulsão juvenil e desejo de aceitação. A ala neo-penteconstal alimenta a volta por cima dos humilhados, o discurso da "tomada de posse" e o desejo de reparação sob um sistema "moderno" que nos condena à degradação física e moral. É a lógica deturpada da redenção numa "igreja" cheia de superlativos. Uniformes verde-oliva e líderes carismáticos: basta um grito em uníssono, para acender um inexorável rastro de pólvora.

Não sei quais são as intenções e nem o modus operandi evangelizador dos Gladiadores do Bispo Macedo. Não há esta clareza em seu site oficial. Dentre todas as alegorias encenadas nos cultos neo-pentencostais (procissões com a arca da aliança, lençóis gigantescos, corredores humanos...),  a metáfora dos portadores do gládio para expressar a fé evangelizadora inabalável foi extremamente infeliz. Abre espaço para dúzias de interpretações.
Tanto dos leigos, quanto dos próprios líderes do império Universal.

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Ideia Fugidia

A quanto tempo não escrevo
o quanto do tempo que atrevo
a escrever sobre o tempo

Quando se dilui o argumento
Na fala de algum elemento
Para se tornar eloquente

Na treva da ideia tosca
Na ilusão de uma rima enrosca
Parafusa o verbo demente

Incandescente na mente
Nem sente que some, somente
Quando torna a nascer

A ideia o tempo é semente
Que confesso tranquilamente
Na fala seca insistente
Depois que torna a morrer.