quarta-feira, 9 de maio de 2018

A VOZ DO MORTO (CAETANO VELOSO)

ARACABOWIE, por Higo Joseph para o livro 'Aracy de Almeida - não tem tradução Ed. Veneta, 2014


Estamos aqui no tablado
feito de ouro e prata
e filó de nylon

Eles querem salvar as glórias nacionais
As glórias nacionais, coitados

Ninguém me salva
ninguém me engana
Eu sou alegre
Eu sou contente
Eu sou cigana
Eu sou terrível
Eu sou o samba

A voz do morto
Os pés do torto
O cais do porto
A vez do louco
A paz do mundo
Na Glória!

Eu canto com o mundo que roda
Eu e o Paulinho da Viola
Viva o Paulinho da Viola!
Eu canto com o mundo que roda
Mesmo do lado de fora
Mesmo que eu cante agora

Ninguém me atende
Ninguém me chama
Mas ninguém me prende
Ninguém me engana

Eu sou valente
Eu sou o samba
A voz do morto
Atrás do muro
A vez de tudo
A paz do mundo
Na Glória!


Caetano Veloso, 1968

terça-feira, 8 de maio de 2018

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Meu Top 5 - sem ordem - de Sci Fi de todos os tempos




BLADE RUNNER, O CAÇADOR DE ANDRÓIDES
RIDLEY SCOTT, 1982

👥

CORAGEM

Imagem relacionada

No primeiro gole de vinho
ainda sozinho neste apartamento
Por um momento enxergo a luz e a luz /
                                             é um avião

E a esperança que mora em mim
é um querubim de asas curtas
que evolui em falsas curvas /
                         e invariável vai ao chão

Eu cidadão brasileiro
dizem que sou guerreiro
inzoneiro sem nada a perder
Então cade a malandragem?
a coragem só de passagem
sem você no meu viver

Último gole de vinho
e eu ainda sozinho
especulando onde você está?
Se chora ou se sorri
se goza ou se sozinha
Eu estou aqui. Talvez ela virá? 

domingo, 6 de maio de 2018

File:640x400 10133 DONTNOD Adrift concept art 03 2d sci fi street adrift paris future city futuristic picture image digital art.jpg

640x400_10133_DONTNOD_Adrift_concept_art_03_2d_sci_fi_street_adrift_paris_future_city_futuristic_picture_image_digital_art.jpg (download)‎ (640 × 400 pixels, file size: 112 KB, MIME type: image/jpeg)
Êxtase ambivalente.  Robert Maple Soap exibição de fotografia "MEMENTO MORI", realizada na Chanel · Nexus · Hall de 14 de março
http://www.sothebys.com/it/auctions/ecatalogue/2011/photographs-pf1120/lot.115.html

Robert Mapplethorpe (1946 - 1989)

ORCHID, 1988
SILVER PRINT, PRINTED 1988. WITH THE PHOTOGRAPHER'S COPYRIGHT STAMP SIGNED BY THE PHOTOGRAPHER, NUMBERED 3/10 . MOUNTED AND FRAMED.

LADYTRON


tHE aNiMAls (vince clark, remix)
ladytron, 2018

NOVABOLIÇÃO

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Sambar é discursar com os pés 
versos de liberdade
E solfejar no chão, angolas e guinés
Nossa ancestralidade

Da janela não vejo o jongo
nem o anjinho das procissões
Apenas a violência crua
e hipócrita das religiões

E a menina samba cega
e o povo bate na palma da mão
E eu não sei mas o que presta
Carnaval ou revolução

Qual verso samba ela?
Na cartilha das milícias
entre as balas das polícias/
Nas quadras acabou a poesia
Só partidos conspirando, altas grossas
fantasias

(se seu corpo ainda está vivo
equilibra-se entre a autonomia
e o estupro coletivo)

Se essa rua fosse minha
se essa rua fosse o povo
Eu de novo cantaria 
a esperança do renovo

Se essa rua fosse minha
Ah! Essa rua, esse povo
Mãos na tecnologia
mente ainda no monjolo

Meu povo nada além do bem
nada além do mal
E vai morrer na praia
como um povo cordial

Sambar é discursar com os pés
versos de liberdade
E solfejar no chão, angolas e guinés
Nossa ancestralidade


domingo, 8 de abril de 2018

MENINAS SOLARES

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Mermaids of the sea,1883. Charles Edward Boutibonne

Meninas como claras tintas
num quadro aberto pelo mar
Naquele céu de queimar retinas
Em corpos a primaveirar

Vão meninas! Vênus, gaias, tássalas
Magnólias, margaridas, helicônias
Livres átomos, estrelas, pássaras
Cometas, mini deusas icônicas

A cada curva de brisa
que transpassa suas adolescências
Inspiram perfumes e benções
lumes, fontes e essências

Destrancam-se sorrisos
e surgem inexistentes belezas
novas suculentas frutas
numa natureza prenha e tesa
de fêmeas arquiteturas 

quinta-feira, 15 de março de 2018

OURO DE MOSCOU

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Você que me vira do avesso
Faz-me crer num Deus
Cujo nome desconheço

Sua lágrima manifesta um milagre
Ao atar um enlace, entre o brilho e o segredo

Quando no escuro te confesso
que não tenho mais acesso
ao meu querer/
É porquê minha dignidade
se perde na sua vontade/ de lutar e de viver

Minha carne não é mais o que sou
Meu ouro de Moscou
Meu desejo proibido
Do peito vem um grito
Como um derradeiro gol
No último segundo
Ante o último apito

Você que é meu ouro de Moscou
Que vem a sustentar
Meu íntimo clandestino

Na minha utopia alcançar
mais do que a liberdade tem pra dar,
neste cárcere que o mundo se assemelha
Carregar esperança como bandeira
Nos músculos do teu olhar/
miro púrpura centelha.

RIO: CIDADE ABERTA OCUPADA PELO MEDO


quarta-feira, 14 de março de 2018

Meu Top 5 - sem ordem - de Sci Fi de todos os tempos


FILHOS DA ESPERANÇA
ALFONSO CUARÓN, 2006

SEGREDO DE AMOR

Roda de Samba
fonte: https://www.webestudante.com.br/samba

Você me encheu de esperança
e alguma alegria
Um beijo no canto da boca pedia
Aquele algo a mais que eu queria prever

Nas noites de quinta-feira nervoso eu ficava
Porque no pagode sempre te encontrava
sambando com outro e nunca comigo

Assim eu seguia nervoso com a batucada
A cerveja gelada descia quadrada
e você me tratava assim como amigo

A paixão que eu sinto está represada em meu peito/
eu já não consigo nem dormir direito/
e passo os dias sempre a lamentar
A amizade é forte e sempre estarei ao seu lado
mas o meu presente, engana o passado
porque o amor sempre esteve lá!

terça-feira, 13 de março de 2018

O LIMITE DO POEMA

MARCHINHA PARA ODETE

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Fui num churrasco lá na casa de Odete/
cerveja já não tinha/
Pedi uma carne e só veio vinagrete
O limão tinha acabado pra fazer a caipirinha

Quem mandô, rico fazer festa /
com sushi, carpacho e petisco/
Lá colina eu não como o resta/
A cerveja é gelada e ainda tem siricutico

A água vem do poço
Não da garrafa Perrier
Mas a fartura da festa é com gosto/
Um boi a gente mata e tem birita pra valer

A água vem do poço
Não da garrafa Perrier
do galeto sei que não roo o osso
A vida é muita dura sem orgia pra fazer!

PARE COM O SOL

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Pare com o sol
pare com as manhãs
pare com as manias
fatias de maças/ estivais

Mire no verão
teu corpo é solar
Mais vale um segundo certo
do que dias tristes/ sem luar

Vem, quero certo tua certeza
Vem, quero paz na tua beleza
Arde cores fortes do romã
Vem, quero morder tua boca
Vem, quero esta não a outra
Madura carne tua hortelã

SUAVE MISTÉRIO

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Deixa eu fazer você
Pensar em mim, porquê
Só eu tenho prazer
Que você tanto deseja

Fazer do amor buquê
O plural do saber
Da alma vem o bem querer
E que assim seja

Vem sonhar o sonho comum
Que dois corações sejam um
Do acaso da vida/
Certeza e alegria/
melodia moderna de blues

Do terraço enxergo os prédios
Lembra teu suave mistério
A coisa urbana, leve e humana
de não levar nada a sério

ESTRADA