De manhã
a morte bate à porta
bate à porta
toca a campainha
a morte
Vem de carta
vem de courrier
chega às vezes pelo rádio
pela tv
a morte
a náusea escurece
cresce taquicardia
anestesia
maresia de chumbo
sem lágrimas: uma lembrança torta
Vez em quando bate à porta
a morte
Aquele conhecido do Seu Zé
A irmã da dona Maria
Minha prima de Osasco
Tão jovem
Dor fria esta...fria...fria
Uma fresta venta na janela
fria/ no flamular da cortina arredia
o silvo noturno anuncia
logo vem a manhazinha...
toc-toc-toc
toc-toc-toc
pééééééééééééééééé
pééééééééééééééééé
"TEMPESTADES QUE NÃO PARAM. PARA-RAIOS QUEM NÃO TEM? MESMO QUE NÃO VENHA O TREM NÃO POSSO PARAR".
terça-feira, 12 de março de 2013
terça-feira, 5 de março de 2013
Starfire Connective Sound
Love is a lonely ghost floating inside
Starfire Connective Sound
Starfire Connective Sound EP
2011
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013
Musas
http://g1.globo.com/mundo/noticia/2013/02/etiope-se-torna-1-mulher-negra-vencer-concurso-miss-israel.html
mesmo que sejam intrusas
Assim que vier o entrudo
que venham as musas!
Eu preciso de musas
mesmo aquelas confusas
mesmo as semifusas
que me gritam difusas
Eu preciso de musas
mesmo que olímpias matutas
mesmo que urbanas fagulhas
preciso de musas
Musas mães, musas filhas
musas primas e musas putas
dentro ou fora das condutas
carnais e impóluto-absolutas
Preciso de musas negras
hereras, latinas, alvas
mamelucas, índias e ruivas
desfilam etno musas!
Assim etéreas e platônicas
Amantes efêmeras biônicas
Maduras e jovens sônicas
Finas, catitas e suburbônicas!
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013
Preto no Branco no Preto no Branco
o bafo meticuloso do tempo
em seu pescoço
o bafo meloso do tempo
denso arrepia
dissolver a vida é arte
coagular o tempo é falsa terapia
medo e coragem
selvagem e humano equilibra.
em seu pescoço
o bafo meloso do tempo
denso arrepia
dissolver a vida é arte
coagular o tempo é falsa terapia
medo e coragem
selvagem e humano equilibra.
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013
BOSTON
Existem sonhos indecifráveis
desejos polutos e hostis
Anacoluto, onde omite estes
versos quebrados inconsequentes
Gostos úmidos e agradáveis
Flashes temporais e gris
Vigor onde a mente pulsa
Urram verbos proeminentes
Pecados trancados a sete chaves
Quando penso que vou mudar de ares
Atravessa-me um pânico de verdades
Das cidades, bicho, Boston é a mais hard
I'm gonna take you by surprise
And make you realize,...
Esta minha teimosia de amor
Este morrer em litorais desertos
Estou certo, estou em estado de choque
Das cidades, parceiro,Boston é mais punk rock
Alí ao lado do cotidiano
onde seu sorriso me inspira
Um anjo me diz que te amo
Um homem sem fôlego ainda respira
Um crooner num pub inglês
Uma paixão fora do tom
Se a guitarra agora tem vez
Vem de lá de Boston, (de Boston!)
em mil novecentos e setenta e seis
quarta-feira, 30 de janeiro de 2013
SOU HOMEM
Eu sou
apenas um homem
Um homem.
Tenho
guardado os sonhos
Como brinquedos
Tenho
filtrado aflições
Como folguedos
Tenho
guardado segredos
Por que sou
homem.
Sou limitado
e enquadrado
Tenho
violência e sexo
Tenho a
doçura tensa
Imensa e
paternal
De um homem
Sou o primeiro a apagar o incêndio
E último a irritar-te com meu silêncio
Ao teu grito silencio-me
Por que sou homem.
Tenho pêlo no corpo como um homem peludo
Alguns indepiláveis em lugares escuros
Outros culturalmente pêlos esdrúxulos
Sou o primeiro a apagar o incêndio
E último a irritar-te com meu silêncio
Ao teu grito silencio-me
Por que sou homem.
Tenho pêlo no corpo como um homem peludo
Alguns indepiláveis em lugares escuros
Outros culturalmente pêlos esdrúxulos
Tenho
chorado no adeus
Tenho um copo
de coisa pra me consolar
Tenho os pés
descalços na sala de estar
Por que sou
homem
Tenho
acreditado em Deus
E sou um
sacerdote em meu lar
Deus é
sangue bom é parceiro e fecha comigo
Meu fiel meu
amigo
No para-brisa
adesivo: ele Mesmo
e meus outros amigos
Tenho amigos
como irmãos
Mesmo
aqueles que não são sãos
Tenho um
animal de estimação
Tenho minha
toalha jogada no chão
Um par de
chuteiras que não penduro não
E um desvelhecer que perdura então
Por que sou
homem.
Deixa meu
orgulho falar
Deixa meu
dedo em riste apontar
Deixa eu
escrever a civilização
Deixa eu
lavar a roupa suja
Com discrição
Por que sou
homem
Da seita
hermética e explícita dos homens.
sexta-feira, 18 de janeiro de 2013
MANADA DO ANAGRAMA
Tudo que eu queria na vida
era escrever uma letra só
uma nota só, um samba só
um botão que não se sentisse só
Era poder dar um laço
sem querer deixar espaço
pra fazer a mágica do nó
É lembrar obtuso (de ser o Homem-de-Aço)
do seu verso confuso
do tom grave em seus olhos
Engolir seco o ocaso
Sem lembrar dos pedaços
Salgados negros do alho
É ter a rima perdida
lá na última esquina
onde um homem está de pé
E dizer que te amo
E de longe acompanho
ondas tristes em Jaconé
Talvez de Botafogo
Talvez ser tijucana
única gentílica se quiser
tem os olhinhos puxados
a covinha engraçada
a garotinha virou mulher
Eu esbarro na letra
Eu desfaço o nó
a juventude em sândalo
O anagrama secreto
a missiva eu acerto
para não ter escândalo
era escrever uma letra só
uma nota só, um samba só
um botão que não se sentisse só
Era poder dar um laço
sem querer deixar espaço
pra fazer a mágica do nó
É lembrar obtuso (de ser o Homem-de-Aço)
do seu verso confuso
do tom grave em seus olhos
Engolir seco o ocaso
Sem lembrar dos pedaços
Salgados negros do alho
É ter a rima perdida
lá na última esquina
onde um homem está de pé
E dizer que te amo
E de longe acompanho
ondas tristes em Jaconé
Talvez de Botafogo
Talvez ser tijucana
única gentílica se quiser
tem os olhinhos puxados
a covinha engraçada
a garotinha virou mulher
Eu esbarro na letra
Eu desfaço o nó
a juventude em sândalo
O anagrama secreto
a missiva eu acerto
para não ter escândalo
segunda-feira, 14 de janeiro de 2013
DEDICATÓRIA TELESINÁPTICA (daquelas que jamais são entregues em mãos)
Te vi iluminada entre livros/
o entardecer me deu esta imagem de presente/
o que mais da cidade agora é suficiente?/
do que este entardecer que se obscura/
nos teus olhos delicados, entre a fria arquitetura
o entardecer me deu esta imagem de presente/
o que mais da cidade agora é suficiente?/
do que este entardecer que se obscura/
nos teus olhos delicados, entre a fria arquitetura
sexta-feira, 7 de setembro de 2012
TÁXI!
Um táxi leva pessoas em trânsito
Um táxi leva pessoas em órbita
Um táxi leva pessoas em transe
Um táxi leva pessoas em transa
Um táxi no micro tempo espaço
Um táxi no multi estilhaço
Um táxi no útero da ansiedade
No princípio trágico da velocidade
O taxímetro é o pulso em forma cifra
A tensa tara invertida
Do chegar antes mesmo da partida.
- Hey,Táxi!
Um táxi leva pessoas em órbita
Um táxi leva pessoas em transe
Um táxi leva pessoas em transa
Um táxi no micro tempo espaço
Um táxi no multi estilhaço
Um táxi no útero da ansiedade
No princípio trágico da velocidade
O taxímetro é o pulso em forma cifra
A tensa tara invertida
Do chegar antes mesmo da partida.
- Hey,Táxi!
sábado, 25 de agosto de 2012
sábado, 4 de agosto de 2012
Hipster Song
Eu tenho uma vontade de compor pós-punk
Eu tenho iniquidade guardada
Eu tenho uma alma errante e junkie
Eu tenho uma vitrola viciada
Eu ouço meu vinis de vez enquanto
Eu vou num show no Circo Voador
Eu acho que Caetano já baixou o pano
Mas Odara ainda me dá algum calor
Minha vontade não compensa
O crime de fazer tanto barulho
Lembro assim da minha adolescência
Um talento de esquecer o futuro
Não posso fumar
Não posso sentir
algo que me de mais prazer
Mas posso comprar
Algum meio retrô
Deixar meu estilo valer
Não sou triste
Não sou alegre
Eu sou barbudo assim mesmo
Eu tenho uma violência que fere
Cores e cenas à esmo.
sexta-feira, 22 de junho de 2012
domingo, 13 de maio de 2012
sábado, 12 de maio de 2012
A CULPA É DO MILAGRE
Não tropeço mais na rua
Nem meço minha vida na tua
Nem tomo mais medidas
Premeditadas e a absolutas
Contrasépticas aspirinas
Alegorias milimétricas
Elétricas línguas serpentinas
Acidez na água férvica
Se a madrugada me leva ao teu perfil
Nas frias redes sociais
É o milagre da distancia sutil
Entre as esquinas intercontinentais
Cabeça explode fogos de artifício
Se o vício me desse um pouco mais
Teclar horas sem nenhum sacrifício
Em fibras óticas existenciais
Antes que a água vire sangue
E vinho se torne vinagre
Vem diálogos curtos...curtinhos
E a culpa é do milagre.
Juntinhos somos culpa do milagre.
Nem meço minha vida na tua
Nem tomo mais medidas
Premeditadas e a absolutas
Contrasépticas aspirinas
Alegorias milimétricas
Elétricas línguas serpentinas
Acidez na água férvica
Se a madrugada me leva ao teu perfil
Nas frias redes sociais
É o milagre da distancia sutil
Entre as esquinas intercontinentais
Cabeça explode fogos de artifício
Se o vício me desse um pouco mais
Teclar horas sem nenhum sacrifício
Em fibras óticas existenciais
Antes que a água vire sangue
E vinho se torne vinagre
Vem diálogos curtos...curtinhos
E a culpa é do milagre.
Juntinhos somos culpa do milagre.
segunda-feira, 7 de maio de 2012
BEIJO NO METRÔ (Post Bossa Underground)
Dei um beijo na sua mão
Na plataforma do metrô
Foi aí que começou
A nossa estória de amor
Eu tentei evitar, olhar adiante.
Mas que desconcertante aconteceu
Na noite em que lua brilhava mais forte
Na razão um corte, meu peito tremeu.
E aí que senti o perfume
Na mão que pude acariciar
Mas tempo foi traiçoeiro
E a sua boca não pude beijar
E depois você foi embora
Por Deus eu não poderia explicar
Se você não tivesse ao meu lado
Hoje não saberia como respirar
Na
plataforma fiquei congelado
Entre a
Zona Norte e a Zona Sul
E hoje
estou mais do que grato
O beijo,
a lua, nosso céu azul.
sábado, 7 de abril de 2012
REDE WI FI
Meu lado crônica é meu lado crânio
Meu lado cracker é meu lado hacker
Meu lado globo é biscoito cream craker
Seu lado fálico é seu lado básico
Seu lado tímido é seu lado ínfimo
Seu lado arguto é seu lado escorbuto
Eu sou o moço que comeu o poço
Eu sou o osso mofo do calabouço
Eu sou o som insosso que ouço
Nunca mais li o soneto de Pessoa
Levei um tiro no jogo em primeira pessoa
Nossa pessoa inerte à beira da proa
Seu moço tu é mesmo tosco
Seu moço me deu um troço
Me deu um troço fiquei sem troco
As redes sociais inventam outro você
As redes sociais inventaram outro você
As redes sociais inventarão outro você
Aqui tem rede wi fi?
Ai...ai...gatinha caiu na rede wi fi
Viu? Ai! Roubei a rede wi fi!
Meu lado cracker é meu lado hacker
Meu lado globo é biscoito cream craker
Seu lado fálico é seu lado básico
Seu lado tímido é seu lado ínfimo
Seu lado arguto é seu lado escorbuto
Eu sou o moço que comeu o poço
Eu sou o osso mofo do calabouço
Eu sou o som insosso que ouço
Nunca mais li o soneto de Pessoa
Levei um tiro no jogo em primeira pessoa
Nossa pessoa inerte à beira da proa
Seu moço tu é mesmo tosco
Seu moço me deu um troço
Me deu um troço fiquei sem troco
As redes sociais inventam outro você
As redes sociais inventaram outro você
As redes sociais inventarão outro você
Aqui tem rede wi fi?
Ai...ai...gatinha caiu na rede wi fi
Viu? Ai! Roubei a rede wi fi!
terça-feira, 3 de abril de 2012
O minuto monolítico
Um quase dia não é um dia - mas um ensaio
Um quase sonho não é um sonho - mas insônia
Um quase morto não é um morto - mas desmaio
Um quase inteiro não é um inteiro - mas meia soma
Eu tenho apenas um minuto para dizer que existo
Raramente faz-se dizeres relevantes minutais
Outros mais sequer tem o alvo visto
Além do mais - acho pouco tempo demais
/para arrancar um cisco
Um dedo em riste, um gesto que persiste
Não é um beijo, nem estouro de dinamite
Apenas o minuto átimo
Tiquetaqueando ao volume máximo
Pra dizer que alguém existe
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