quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Bluetooth

Fones de ouvido bluetooth comprei
Sei que tenho liberdade para ouvir
Som mas próximo do cérebro terei.(?)(!)(*)

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

A Poesia Pra Que Serve?

A poesia de nada serve
A poesia pra nada presta
O verso pra que se ferve?
A letra vapor que resta!

Quero comer com tempero
O medo que dá na espinha
Quero fazer sentir no pelo
O sal que me dá na língua

O pulsar que sinto no peito
Faz-se taquicardia!
Saudade é por respeito
Na lembrança que é só sentida

Quando vejo um monge
Quando vejo um prédio
Quando vejo um ônibus
Quando vejo um beijo

Vejo quando estou velho
Vejo quando estou sério
Vejo quando estou de carro
Vejo quando estou hilário

Rua quando vejo escura
Tua quando verte a boca
Lua quando vez em quando
Suja quando dribla o chão

A poesia pra que serve
A poesia pra nada presta
O verso pra que se ferve?
A letra vapor que resta!

Escreve quando tenta o cérebro
Treme quando tensa a mão!

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

domingo, 8 de janeiro de 2012

Baseado em fatos reais

Eram os primeiros dias de janeiro
E eu queria ser o primeiro a dar aos meus filhos
um domingo de sol
No rol de nossas tralhas familiares
um nokia n8, um patinete e um squezze
não como se escreve "esquize"
É esquisito escrever algo que não se sabe
porém é mais estranho a sensação de não escrevê-la
É esquisito fazer rir os filhos com nossos erros
porém é mais estranho guardá-los e escondê-los
Pois bem, neste dia de ar livre
longe da tv à cabo e da internet
Fui brincar com os moleques: um squezze, um N8/
e um patinete
Pedi licença ao ridículo e quis ser igual a eles
rir deles e com eles
Assim como um Kick Buttowiski gigante
Lancei mão do patinete na ladeira atrás do prédio
Assim...com a naturalidade de quem quer cortar o tédio
Arriscava-se num equilíbrio sem noção
Eu que vou de carro à esquina comprar pão
Depois do terceiro ou quarto impulso
Como no repente da vida...me estabaquei no chão
Correu filho, correu filha: "Papai tudo bem?"
Sangrou braço, entrou areia no arranhão

"Filha me dá o squezze" - numa ordem sopetão
Ri de mim a molhar a ferida
Deixei-os rir do meu escorregão
"Filho filma o papai". E lá fui eu de novo
com o patinete na mão
Fiz careta pro N8, sem medo de cair no chão

Minha filha gritou "Rock n' roll!"
E eu fiz um chifrinho com os dedos
Assim como o avesso do gol
Franguei em frente aos pequenos

E tudo ficou mais bonito
Sem choro e sem barulho
Um domingo colorido
Virou um domingo cheio de orgulho

Moral da estória repentina
Cair e levantar é coisa do dia a dia
O sangue escorreu, ardeu a ferida
Mas levantei e saí por cima

Um dia eles também cairão
E o sangue pode também escorrer
Isso não ensina a televisão
E no youtube é piada pra se ver
Por isso um dia de sol pode dar um lição a mais
que eles vivam a vida sem hipocrisias sentimentais
sem egoísmos fúteis e banais
sem a frieza de múmias digitais
mas uma vida baseada, sempre, em fatos reais

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Agora Já Era! ...Agora é Site!

Pessoal que segue as minhas poesias estreou em 29/11/2011 o site Umberto! Agora Já Era.
Mesmas poesias, novo formato, conteúdos exclusivos. É site gêmeo de úteros inspiratórios diferentes.
Confiram! http://www.wix.com/umbertom1/umberto-agora-ja#!

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

LETARGIA DA MODERNIDADE



Eu bebo do líquido da modernidade
assim como uma cachaça doce-amarga
Viciante em seu cheiro de verdade
Ácida, densa, fervil esta lava

Incandescente e impalpável
Plena de simulações controversas
Cria um mundo grosso e palatável
Onde o prazer brilha em suas festas

Tudo é muito, tudo é mais
No intuito de ser insuficiente
Olho o outro e não sei mais
Quem está em minha frente

Sou mosca na teia da loucura
Esperando a picada mais forte
Clicando sobre a lâmina escura
Comprando até a dor do corte

Estou wirelles no meio da avenida
Em sessões de infodiálise
O silêncio é a armadilha mais temida
Corpos sem chips, corpos sem classe

Detesto fios, detesto a massa
Detesto a informação desacelerada
Detesto minha memória fraca
Sou público para pizza quadrada

Sou indivíduo, e assino em teclas
Sou público, apresento-me em dígito
Para que ter crédito como meta
Se me endivido feliz e me escravizo

Na finura das telas, no toque como carinho
A mágica é verdadeira e causa arrepio

Não posso ficar fora do vício
Como pária sem código de barra
Por isso prefiro correr o risco
de ter minha consciência alterada
Embriago-me, impregno-me
Contemplar para que? o que significa isso?
Se posso satisfazer rapidamente
As frustrações de minha mente
Fibra ótica demente, sou o que compro e o que visto
Sem retórica e sem ofício
consumo logo existo
E vivo ébrio de amores falsos
Desfrutando de seus impalpáveis benefícios.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

TÔ TRANQUILO

Tô tranquilo

tranquilo

/com aquilo que me tranca
/com aquilo que me tranca
tranquilo
o quilo ou a grama
tranquilo filigrana
o fio fina anca
o tranco e a tranca
o tronco e a grama
tô tranquilo
tranquilo
tranquilo
tranquilo

Tranquilo com o esquilo
Grama meu estilo
Grana meu pupilo
Gana meu gemido
Ana e Astrogildo
Tranquilo

Tô como o Cê
Pra você eu não estou
Para você vossa mercê
Tranquilo como sou

Tô tranquilo

tranquilo

tranquilo

traquilotô

domingo, 6 de novembro de 2011

CANSEI II



Prefiro ser bárbaro
e invadir as noites santas
estuprar madrugadas insólitas
viver demasiadamente mítico


Olhar o lixo terminal
das bases sufocantes 
álcool nas amuradas 
agulhas secas e inervantes


Vi inglesinhas pedindo carona
Vi prestidigitadores em pânico
Colaborei com vapores invisíveis


Policiais exibindo o patético
Palhaços esmolando risadas
Putas afiando a língua
Barbies cassetes e digitais


E agora...
Danço até arrebentar os tendões
ou desmaio até que sol adoeça-me
/ de esperança?


"Music and passion were always the fashion
At the Copa...they fell in love"

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

República Separatista (ou Bandeira Negra)


Por vezes as hemoglobinas piscam
e esvanecem em micro-vênetos
e iniciativas basco-separatistas
Osséticas e checheno-frêmitos

Os suspiros são retro-físicos
e estrangeiros em suas mortes
Olham a esquina com medos tísicos
Exprimem glândulas sudoríparas fortes

Bandeiras ventam passados únicos
Reconhecem-se na retina da terra
Salivam lendas e folclores telúricos
Ficam armas, arames inguchétas

O que dizer do amanhã
Se estes tais salivam incertezas?
Somos águas profundas e anãs
Cercadas de ilhas de estranha beleza

Cheirem do sulco de nossos montes!
Comam do poro de nossos queijos!
Banhem-se em nossas fontes!
Assim entenderão - de vez -
/ as vísceras dos nossos desejos

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

FRIÚMIDO E SECÚMIDO (Ou diminuindo o sentido do escrito)

Friúmido no orvalho dos tempos
Na lógica pródiga das águas
Gotas insólitas e oceânicas
Gotas místicas e amazônicas
Gotas únicas e escorridas

Secúmidos campos arenosos
Gotas profundas e elísias
Gotas grâmicas e íntimas
Gotas tântricas e asfálticas
Gotas em torneiras írritas

Gotas friúmidas
Gotas secúmidas

Gotas serênicas
Gotas melancúmidas
Gotas tésticas
Gotas glândicas
Gotas vúlvalas

Gotas enigmatêmicas:
De onde vem o conflito?
Água, leite ou azeite;
Vida, corpo ou espírito?

sábado, 8 de outubro de 2011

AGIOTA IDIOTA

Sou agiota de mim mesmo
Sou idiota assim mesmo
E cobro caro, altos juros!
Navalhando-me em urros!

E isso: olha o problema!
dilema: pode-me não levar
Pasmem! a lugar nenhum

Vou a escritórios duvidosos
Na Avenida Ventriculosa
Talões de cheques grossos.
Cauções endo-ardilosas

E vai virando bola de neve
Envelheço - fico devendo...
devendo...

Que merda isto, hein!?

Café



Acabei de cometer suicídio
e quando arrependi
estava tomando café

Clarice, poema?

"qual uma faca íntima/ ou faca de uso interno, /habitando num corpo /como o próprio esqueleto"
(João Cabral de Melo Neto)

Tremi, e desta vez foi de propósito
Não fingi que era flâmula
nem que era anemômetro
não fingi que teço trama
não fingi que era fenômeno

Foi real, tremi, me espantei
Vi um gozo que não era meu
Ouvi um sotaque que não era meu
Senti-me mal, engoli, arrotei

Denso como pecado de treva
Falível como recado que herda
Furtos tórridos de péssimas lembranças

Desta vez, senti frio na espinha
Pesou o olho turvou-me a língua
Escorreu até sangue...
Como um piercing mal aplicado
Como indelicado e invasivo cateter

Era éter, é chumbo, será mercúrio
Não fingi - senhores - apenas lembrei
só lembrei, de Clarice Linspector

A MAÇÃ


Crítica sobre o filme "A Maçã" de Samira Makhmalbaf

"Talvez a melhor manobra estética de Makhmalbaf seja demonstrar como nos atrai a idéia angelical do ser humano puro, imaculado, desprovido das maldades mundanas, repleto de ternura (onde o ato mais bestial é roubar picolés de um moleque ambulante) na clausura da ignorância."

Ler no link ao lado "Ensaios e Críticas de Cinema"

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

SEXO SATISFATÓRIO


O querer é gula 
é prazer intento
comer com doçura
instinto intenso

O corpo sugere
a alma reclama
o tesão prefere
de pé ou na cama

malabarismos...
intrínsecos mais que perfeitos
como performáticos subjetivos

chances de prazer às largas-estreitas
gozos masoquistas quase purgatório

A técnica é perfeita
Em gráfico é ...satisfatório


Publicado originalmente no site 'Recanto das Letras' em 24/08/11

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Subjetividade Coletiva (música)

http://brevesfragmentosdesonho.blogspot.com/2009/05/pais-e-filhos-parents-and-children.html

Parede da casa é
mural de geladeira
Bolinha amarela é
solzinho fazendo careta
O choro, o tesouro, o consolo
Pedrinho perdeu a chupeta

O objeto indivíduo
O subjeto coletivo
O objeto indivíduo
O subjeto coletivo

Botar piercing no nariz
Vanguarda de adolescente
Beber pra ficar feliz
Um beijo me faz contente

O objeto indivíduo
O subjeto coletivo
O objeto indivíduo
O subjeto coletivo

Um dia vou dar no pé
O mundo é ali na esquina
A grana ainda tá ralé
Não dá nem pra aspirina

O objeto indivíduo
O subjeto coletivo
O objeto indivíduo
O subjeto coletivo

Não deu tempo de tomar café
A hora é derradeira
Um relatório que ninguém quer
pousou sobre minha mesa

O objeto indivíduo
O subjeto coletivo
O objeto indivíduo
O subjeto coletivo

De carro eu chego lá
Mas cadê a gasolina?
Em março tem IPVA
E o carango é do banco ainda

O objeto indivíduo
O subjeto coletivo
O objeto indivíduo
O subjeto coletivo

Maio é bom pra casar
Mas a casa não sai do chão
Então vamos só namorar
Do que seguir tradição

O objeto indivíduo
O subjeto coletivo
O objeto indivíduo
O subjeto coletivo

A vida deve ser luta
Filosofia é questão que se veja
Se pirar não vou de cicuta
Pensar só é bom com cerveja

O objeto indivíduo
O subjeto coletivo
O objeto indivíduo
O subjeto coletivo

Se Nietzsche mandou Deus se ferrar
Ele pode ter montado igreja
Se a existência é molecular
O universo se faz da estrela
Luiz Felipe Pondé
Acha Deus elegante
Dawkins de bom que é
Veste o gene de Galante

O objeto indivíduo
O subjeto coletivo
O objeto indivíduo
O subjeto coletivo

Eu poderia ter feito assim
Mas pensaram que era besteira
Eu era um gênio mirim
Meu solzinho da geladeira

O objeto indivíduo
O subjeto coletivo
O objeto coletivo
O subjeto indivíduo

(para Robroy Naflix)