segunda-feira, 7 de maio de 2012

BEIJO NO METRÔ (Post Bossa Underground)


Dei um beijo na sua mão
Na plataforma do metrô
Foi aí que começou
A nossa estória de amor

Eu tentei evitar, olhar adiante.
Mas que desconcertante aconteceu
Na noite em que lua brilhava mais forte
Na razão um corte, meu peito tremeu.

E aí que senti o perfume
Na mão que pude acariciar
Mas tempo foi traiçoeiro
E a sua boca não pude beijar

E depois você foi embora
Por Deus eu não poderia explicar
Se você não tivesse ao meu lado
Hoje não saberia como respirar

Na plataforma fiquei congelado
Entre a Zona Norte e a Zona Sul
E hoje estou mais do que grato
O beijo, a lua, nosso céu azul.

sábado, 7 de abril de 2012

REDE WI FI

Meu lado crônica é meu lado crânio
Meu lado cracker é meu lado hacker
Meu lado globo é biscoito cream craker

Seu lado fálico é seu lado básico
Seu lado tímido é seu lado ínfimo
Seu lado arguto é seu lado escorbuto

Eu sou o moço que comeu o poço
Eu sou o osso mofo do calabouço
Eu sou o som insosso que ouço

Nunca mais li o soneto de  Pessoa
Levei um tiro no jogo em primeira pessoa
Nossa pessoa inerte à beira da proa

Seu moço tu é mesmo tosco
Seu moço me deu um troço
Me deu um troço fiquei sem troco

As redes sociais inventam outro você
As redes sociais inventaram outro você
As redes sociais inventarão outro você

Aqui tem rede wi fi?
Ai...ai...gatinha caiu na rede wi fi
Viu? Ai! Roubei a rede wi fi!


terça-feira, 3 de abril de 2012

O minuto monolítico

Um quase dia não é um dia - mas um ensaio
Um quase sonho não é um sonho - mas insônia
Um quase morto não é um morto - mas desmaio
Um quase inteiro não é um inteiro - mas meia soma

Eu tenho apenas um minuto para dizer que existo
Raramente faz-se dizeres relevantes minutais
Outros mais sequer tem o alvo visto
Além do mais - acho pouco tempo demais
                               /para arrancar um cisco

Um dedo em riste, um gesto que persiste
Não é um beijo, nem estouro de dinamite
Apenas o minuto átimo
Tiquetaqueando ao volume máximo
Pra dizer que alguém existe 

quarta-feira, 28 de março de 2012

Retiro

Eu me retiro
para um começo de oração
para uma frágil reflexão
ágil gás do fogão que me distrai

Eu me retiro
para o último andar suburbano
para os débitos que acumulam na gaveta
para a preta fagulha na avenida

Eu me retiro
para o eco do banheiro
para o meio das canções incidentais
inférteis no ralo de alumínio

Eu me retiro
para o arroz com feijão
para o pão e para o escândalo
do Brasil dos telejornais

Eu me retiro
para o lar da Mário Carpenter
para o beijo de boa noite
para o calor açoite que nenhuma brisa noturna/
                                   daria conta.

Se me retiro
Não que a alma esteja pronta
Nem que o gosto do dia tenha sido digerido.
Absolutamente.

segunda-feira, 26 de março de 2012

O Lobo e o Cordeiro

O lobo é bicho-gente
O lobo é bicho caliente
O lobo é bicho que sente
Bicho pra frente

Cordeiro é bicho doente
Cordeiro é bicho demente
Cordeiro é bicho indolente
Fora do foco, bicho sem mente

O lobo é o olho da gente
Cordeiro é o medo vidente
O lobo canino saliente
Cordeiro é coragem dormente

O lobo é o cordeiro tosado
Cordeiro é o lobo calado
O lobo é o cordeiro tesudo
Cordeiro é o pavor no escuro

O lobo é o brado insolente
O cordeiro é o silêncio inocente.

sábado, 24 de março de 2012

Amor Lexotânico

Deixa eu respirar o tempo lexotânico e inábil
Deixa eu escorrer minha língua lábil
Este açucarado de carícias molejas
Caído meu braço no dorso que estejas

Dentes mamilam peles rubras e mirongas
decifradas aos pés de pentagramas
Eletrofeitos salivas vem em ondas
Gigantescos gemidos decigramas

Se fiz corte em tua tez cigana
é por que me fiz ainda réu na grama
terrível terrosa nesta unha estranha
que finca levíssima no teu paladar

Se foste vítima da minha fome escura
Suga única na bunda grandiloquente
Se sente o pulsar penismático que dura
madrugadas encalças a virilhar na mente

Acabo-me, derreto-me, desfragmento-me
Como sono ópio vaporizado
Na esfumacência de suas entranhas
Sinto-me cru aprisionado

Então me consuma como se fosse mesmo
O gosto teso de um fato consumado
Como regalo na boca púrpura amora
Caroço mordido sorvido provado e acabado.

Prevalecendo pela manhã - lexotânico
Neônio, totalmente amalgamado
Não sei se sou eu microorgânico
Se sou cadáver, se sou amado.


domingo, 11 de março de 2012

Para arrebentar grades enferrujadas

         Os meus chegados sabem que sou fã de tecnologia. Não daquela que nos separa, nos individualiza, mas aquela que promove informações, agrega valores e experiências renovadoras. Uma destas experiências é a capacidade de ser assistir o que quiser, da forma que quiser, os programas de televisão pela internet. Quando garimpo, vejo que a televisão aberta ainda não está perdida, mas, certamente a forma de ser ver esta televisão está com os dias contados.
          Enquanto não temos uma banda acessível e barata para todos e um streaming sem aqueles travamentos irritantes, a melhor forma é montar uma boa lista, esperar uns minutos, e ver ou rever, os programas postados no You Tube. Muitos destes programas em canais das próprias emissoras e com qualidade HD. Daquelas pérolas que garimpo destaco duas: o humorístico Agora é Tarde, da BAND e o Samba na Gamboa da Tv Brasil. É tamanho o prazer do entretenimento assim como o abismo de distinção que há entre eles.
          Danilo Gentilli, faz o humor no pastiche dos talk shows, na fórmula bem copiada por Jô Soares, e desconstruindo as espinhas dorsais que poderiam torná-lo enfadonho. Um apresentador, três "ancoras", e uma banda, uma puta banda, o Ultraje à Rigor.
Diogo Nogueira acertou no carisma, no bom humor e na elegância na forma de receber seus convidados, neste campo, craques da música popular, do samba e do pagode. O ambiente informal dá leveza à acompanhamentos precisos e quase cirúrgicos, nas percussões, nas cordas e nos sopros. No último que assisti, e postei, tivemos a delícia da voz e do suingue de Luiz Melodia.
          Mesmo que às vezes pareça um retrocesso, esperar o vídeo "dar corda", no buffering, para depois tocar e, em HD, isso ainda é realidade, a tecnologia - dispor dela - é um deleite.
Eu que sou um pessimista racional ou um futurista melancólico, vejo um traço de esperança, quando a tal grade da televisão tradicional está prestes a arrebentar. Curtir a tv pela internet já é uma realidade, uma liberdade de escolha, pedra cantada por Nelson Hoineff e outros bons estudiosos de tv.
          Humor e Música são apenas opções na cédula virtual. Viva a liberdade de escolha! Menos leis restritivas e mais programas e formatos ao alcance dos dedos.




Postado no Facebook, Rio,11/03.

sábado, 10 de março de 2012

Um ontem em forma de Homem


Queimam folhas secas e sós
Queimam em nós
Infâncias, decalques, feridas
Queimam lembranças de rua

Cola de arroz
Cola de suor
Papel fino
Finura no vento

Raspei o tampão do dedo
Se tenho dedo ainda
É por que há gols
Muitos a serem feitos

Se escondem em mim <moleque!>
Atrás de velhos carros
Atrás de postes cinzas
Se escondem em mim <moleque!>

Há o tempo e é breve
É injusto
É puro
É amargo
É doce
É amargo-doce
Em mim reminiscências e distâncias
Escurecem em outras instâncias
E a delicadeza de ser assim
Um ontem em forma de homem.

quarta-feira, 7 de março de 2012

Entrevista - Helena Martinho da Rocha

Leiam em "Ensaios e Críticas de Cinema" a instigante e provocadora entrevista exclusiva com a cineasta e produtora Helena Martinho da Rocha (Clique Aqui). Dentre outras obras destacam-se "O Bispo do Rosário" de 1993 e "Benguelê" de 2007. Abaixo, uma degustação de "Benguelê", já exibido na europa e "Menção Honrosa" no Afro-Film Festival da Bahia em 2010. 

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Bluetooth

Fones de ouvido bluetooth comprei
Sei que tenho liberdade para ouvir
Som mas próximo do cérebro terei.(?)(!)(*)

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

A Poesia Pra Que Serve?

A poesia de nada serve
A poesia pra nada presta
O verso pra que se ferve?
A letra vapor que resta!

Quero comer com tempero
O medo que dá na espinha
Quero fazer sentir no pelo
O sal que me dá na língua

O pulsar que sinto no peito
Faz-se taquicardia!
Saudade é por respeito
Na lembrança que é só sentida

Quando vejo um monge
Quando vejo um prédio
Quando vejo um ônibus
Quando vejo um beijo

Vejo quando estou velho
Vejo quando estou sério
Vejo quando estou de carro
Vejo quando estou hilário

Rua quando vejo escura
Tua quando verte a boca
Lua quando vez em quando
Suja quando dribla o chão

A poesia pra que serve
A poesia pra nada presta
O verso pra que se ferve?
A letra vapor que resta!

Escreve quando tenta o cérebro
Treme quando tensa a mão!

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

domingo, 8 de janeiro de 2012

Baseado em fatos reais

Eram os primeiros dias de janeiro
E eu queria ser o primeiro a dar aos meus filhos
um domingo de sol
No rol de nossas tralhas familiares
um nokia n8, um patinete e um squezze
não como se escreve "esquize"
É esquisito escrever algo que não se sabe
porém é mais estranho a sensação de não escrevê-la
É esquisito fazer rir os filhos com nossos erros
porém é mais estranho guardá-los e escondê-los
Pois bem, neste dia de ar livre
longe da tv à cabo e da internet
Fui brincar com os moleques: um squezze, um N8/
e um patinete
Pedi licença ao ridículo e quis ser igual a eles
rir deles e com eles
Assim como um Kick Buttowiski gigante
Lancei mão do patinete na ladeira atrás do prédio
Assim...com a naturalidade de quem quer cortar o tédio
Arriscava-se num equilíbrio sem noção
Eu que vou de carro à esquina comprar pão
Depois do terceiro ou quarto impulso
Como no repente da vida...me estabaquei no chão
Correu filho, correu filha: "Papai tudo bem?"
Sangrou braço, entrou areia no arranhão

"Filha me dá o squezze" - numa ordem sopetão
Ri de mim a molhar a ferida
Deixei-os rir do meu escorregão
"Filho filma o papai". E lá fui eu de novo
com o patinete na mão
Fiz careta pro N8, sem medo de cair no chão

Minha filha gritou "Rock n' roll!"
E eu fiz um chifrinho com os dedos
Assim como o avesso do gol
Franguei em frente aos pequenos

E tudo ficou mais bonito
Sem choro e sem barulho
Um domingo colorido
Virou um domingo cheio de orgulho

Moral da estória repentina
Cair e levantar é coisa do dia a dia
O sangue escorreu, ardeu a ferida
Mas levantei e saí por cima

Um dia eles também cairão
E o sangue pode também escorrer
Isso não ensina a televisão
E no youtube é piada pra se ver
Por isso um dia de sol pode dar um lição a mais
que eles vivam a vida sem hipocrisias sentimentais
sem egoísmos fúteis e banais
sem a frieza de múmias digitais
mas uma vida baseada, sempre, em fatos reais

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Agora Já Era! ...Agora é Site!

Pessoal que segue as minhas poesias estreou em 29/11/2011 o site Umberto! Agora Já Era.
Mesmas poesias, novo formato, conteúdos exclusivos. É site gêmeo de úteros inspiratórios diferentes.
Confiram! http://www.wix.com/umbertom1/umberto-agora-ja#!

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

LETARGIA DA MODERNIDADE



Eu bebo do líquido da modernidade
assim como uma cachaça doce-amarga
Viciante em seu cheiro de verdade
Ácida, densa, fervil esta lava

Incandescente e impalpável
Plena de simulações controversas
Cria um mundo grosso e palatável
Onde o prazer brilha em suas festas

Tudo é muito, tudo é mais
No intuito de ser insuficiente
Olho o outro e não sei mais
Quem está em minha frente

Sou mosca na teia da loucura
Esperando a picada mais forte
Clicando sobre a lâmina escura
Comprando até a dor do corte

Estou wirelles no meio da avenida
Em sessões de infodiálise
O silêncio é a armadilha mais temida
Corpos sem chips, corpos sem classe

Detesto fios, detesto a massa
Detesto a informação desacelerada
Detesto minha memória fraca
Sou público para pizza quadrada

Sou indivíduo, e assino em teclas
Sou público, apresento-me em dígito
Para que ter crédito como meta
Se me endivido feliz e me escravizo

Na finura das telas, no toque como carinho
A mágica é verdadeira e causa arrepio

Não posso ficar fora do vício
Como pária sem código de barra
Por isso prefiro correr o risco
de ter minha consciência alterada
Embriago-me, impregno-me
Contemplar para que? o que significa isso?
Se posso satisfazer rapidamente
As frustrações de minha mente
Fibra ótica demente, sou o que compro e o que visto
Sem retórica e sem ofício
consumo logo existo
E vivo ébrio de amores falsos
Desfrutando de seus impalpáveis benefícios.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

TÔ TRANQUILO

Tô tranquilo

tranquilo

/com aquilo que me tranca
/com aquilo que me tranca
tranquilo
o quilo ou a grama
tranquilo filigrana
o fio fina anca
o tranco e a tranca
o tronco e a grama
tô tranquilo
tranquilo
tranquilo
tranquilo

Tranquilo com o esquilo
Grama meu estilo
Grana meu pupilo
Gana meu gemido
Ana e Astrogildo
Tranquilo

Tô como o Cê
Pra você eu não estou
Para você vossa mercê
Tranquilo como sou

Tô tranquilo

tranquilo

tranquilo

traquilotô

domingo, 6 de novembro de 2011

CANSEI II



Prefiro ser bárbaro
e invadir as noites santas
estuprar madrugadas insólitas
viver demasiadamente mítico


Olhar o lixo terminal
das bases sufocantes 
álcool nas amuradas 
agulhas secas e inervantes


Vi inglesinhas pedindo carona
Vi prestidigitadores em pânico
Colaborei com vapores invisíveis


Policiais exibindo o patético
Palhaços esmolando risadas
Putas afiando a língua
Barbies cassetes e digitais


E agora...
Danço até arrebentar os tendões
ou desmaio até que sol adoeça-me
/ de esperança?


"Music and passion were always the fashion
At the Copa...they fell in love"